Taquaritinguenses contam como estão enfrentando a pandemia de Covid-19 pelo mundo

Pontos turísticos fechados, trabalho em ‘home-office’, crianças em casa e isolamento social são realidades em comum de taquaritinguenses que moram no exterior há algum tempo e estão enfrentando a pandemia de Covid-19 longe da família e da cidade-natal. Mesmo com as incertezas sobre a nova doença, todos se dizem otimistas e se sentem seguros onde estão e, em quase unânime concordância, a divergência política que assombra nosso país é a principal dificuldade vista por eles no momento de se tomar decisões no Brasil para superar a crise de saúde pública/financeira.

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O Jornal Tribuna conversou com sete deles e relata as medidas preventivas determinadas em cada país e como a situação afetou cada um. Confira:

“Há duas semanas, o ministro de Israel decretou a quarentena no país e apenas os estabelecimentos de serviços essenciais para a população estão funcionando, mas com horários reduzidos. Eu estava trabalhando em um hotel que fechou as portas por não ter clientela suficiente para manter os gastos e tive que suspender um curso de cabeleireiro que eu estava quase terminado e não sei quando será retomado. As medidas estão sendo modificadas quase que diariamente e temos que ficar atentos aos noticiários. Com o início da primavera aqui, houve dias quentes e muitas pessoas acabaram indo para a praia! Tal atitude fez com que o governo enrijecesse as orientações e, agora, se você quer ir passear um pouco no litoral, você não pode sentar na areia, pois é permitido apenas que você caminhe ou faça algum exercício lá. Quando você quer pedir alguma comida em casa, o entregador é obrigado a deixar na sua porta e você não pode ter contato com ele; quando a encomenda chega, somos avisados através do aplicativo que ela já está na entrada da casa”, (Maristela Galatti, 26 anos, residente em Tel Aviv/Israel)

“Moro em Viena há três semanas e cheguei aqui com a minha família quase que no início da epidemia. Os estabelecimentos comerciais estão mantendo a mesma rotina que a do Brasil; somente os mais importantes estão com as portas abertas, mas não há um limite de pessoas para estarem no interior deles. Eu e meu marido não optamos por estocar comida, mas notamos que essa questão, no início, preocupou muitas famílias por aqui, mesmo que as prateleiras dos mercados estejam sempre com mercadorias repostas. Nossa quarentena recomendada pelo governo diz que podemos sair de casa por três razões: para cumprir compromissos de trabalho inadiáveis, para compras urgentes e essenciais e para ir ao hospital. Uma exceção é que podemos caminhar nas ruas apenas na companhia de pessoas que convivem na mesma residência e, caso seja descumprido, em algumas situações, a pessoa pode levar uma multa de até € 2.180. Mesmo sendo estrangeiros, temos o visto de residente e isso nos dá o direito de sermos atendidos em unidades médicas públicas como qualquer outro cidadão austríaco. Estamos muito seguros aqui e seguindo todas as recomendações do governo e acreditamos que nossa rotina se normalizará até a Páscoa”, (Gisele Vieira Suzuta, 36 anos, residente em Viena/Áustria)

“Os primeiros avisos sobre a nova pandemia de Covid-19 aqui na Austrália chegaram no final do ano passado e o governo tomou medidas emergenciais para que a doença não se espalhasse pelo país. Um exemplo disso foi a exigência de que pessoas (australianos e estrangeiros) que chegassem aqui através de voos internacionais eram obrigadas  a cumprirem a quarentena na cidade em que desembarcasse, tendo ainda, que arcar com os custos da estadia. Quanto ao desemprego, acabei sendo afetada e dispensada de um dos locais onde eu trabalhava e, agora, só estou trabalhando em uma escola, pois as instituições de ensino não fecharam. Muitos estudantes se desesperaram com crise e decidiram ir embora, mas eu e meu namorado não cogitamos essa possibilidade. Estamos seguros aqui e não sabemos até que ponto vale a pena pegar um voo internacional, pois a probabilidade de sermos contaminados durante a volta para o Brasil é alta”,  (Thaís Cândido Fernandes, 27 anos, residente em Gold Cast/Austrália)

“Estou muito inseguro quanto ao futuro do meu emprego aqui em Portugal. Moro há dois anos em Viera do Minho com a minha esposa e a pandemia também paralisou a economia por aqui; porém, teremos a promessa do respaldo da União Européia para ajudar na recuperação financeira do país já no próximo mês. O governo está passando todas as orientações para os moradores daqui e, se caso começarmos a apresentar algum sintoma da doença, temos que ligar para um telefone emergencial chamado ‘Saúde 24’ para um médico te direcionar ao local onde será feito um teste rápido. Apesar de não termos um sistema de saúde gratuito igual ao do Brasil, a assistência médica para os infectados pela Covid-19 não está sendo cobrada”, (Dimas Martinez, residente em Vieira do Minho/Portugal)

“O isolamento social determinado aqui em Londres é muito parecido com o do Brasil e do restante do mundo; somente serviços essenciais estão funcionando com restrições em horários e quantidade de pessoas dentro dos estabelecimentos. As pessoas aqui têm obedecido as determinações e quase não estão saindo de casa mesmo, somente quando há extrema necessidade. Estou fazendo uma especialização em Tecnologia da Informação e meu curso não foi prejudicado por conta da quarentena, pois minhas aulas passaram a ser online. Quanto à Saúde, toda pessoa que tem o visto de residente tem o direito do acesso ao sistema de saúde gratuito chamado NHS, mas o diagnóstico do Covid-19 aqui tem sido um pouco diferente. Somos orientados a nos isolarmos por sete dias após a aparição dos primeiros sintomas; se, mesmo após a reclusão, o quadro for se agravando, temos que entrar em contato com um clínico geral (referido como ‘GP’) para nos consultarmos por telefone ou, até mesmo, através da internet. Acredito que tudo isso passará brevemente e torço para que as pessoas no Brasil não sofram tanto com a doença”, (Alexandre Jamarco, 31 anos, residente em Londres/Inglaterra)

“Em Berlim, o isolamento social começou no dia 15 de Março. Escolas e creches permanecerão fechadas até o dia 20 de Abril (podendo haver a prorrogação desse prazo) e as pessoas que trabalham em empresas começaram a fazer ‘home-office’. Fomos orientados a evitar aglomerações e a sair de casa apenas para ir ao mercado, farmácias ou urgências, além de manter distância das pessoas. Os supermercados estão higienizando os carrinhos a cada uso e temos que manter distância de 2 metros das outras pessoas; itens já estão em falta nas prateleiras, como papel higiênico, produtos de limpeza, arroz e macarrão. A chanceler Angela Merkel fez um pronunciamento há dias e pediu à população para reduzir o contato social devido à pandemia que, segundo ela, é o maior desafio que a sociedade alemã enfrenta desde a Segunda Guerra Mundial. Os testes de Covid-19 só estão sendo feitos caso a pessoa apresente dificuldade em respirar e pacientes da Itália começaram a ser recepcionados em hospitais daqui, pois lá não tem mais lugar para atendê-los. Estamos confiantes que todo esse caos passará logo”, (Camila Malaman Molinari, residente em Berlim/Alemanha)

“Doha desfruta de uma situação econômica melhor do que a do Brasil e, por isso, as pessoas conseguem obedecer a quarentena por aqui sem tanta preocupação financeira. Estamos cumprindo o isolamento social conforme foi determinado e saindo apenas em situações de extrema emergência. Trabalho como personal trainee e as aulas que dou em uma academia estão suspensas, não sendo possível atender meus alunos em suas residências, pois o transporte público também está paralisado. Mesmo diante de tudo isso, estou bem otimista e sei que tudo isso vai passar; temos que ter fé e calma, pois tudo vai se resolver”, (Rafaela Ruiz, residente de Doha/Catar)

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