Taquaritinga (SP) se entristece com o falecimento do empresário Arivaldo Rodrigues, o ‘Cidinho da Casa Nadir’

Faleceu, na madrugada desta sexta-feira (22), o empresário Arivaldo Aparecido Rodrigues, conhecido popularmente como o ‘Cidinho da Casa Nadir’.
 
Cidinho estava hospitalizado desde o dia 4 de Janeiro após ser infectado pela Covid-19. Desde então, familiares e amigos pediam, diariamente, para que todos orassem pela sua recuperação. Infelizmente, o taquaritinguense não resistiu às complicações causadas pela enfermidade e acabou falecendo na Santa Casa da cidade.
 
Desde que a notícia de sua morte tornou-se pública, diversas manifestações de luto foram colocadas nas redes sociais, relembrando momentos e atitudes inesquecíveis que o empresário partilhou com muitas pessoas durante toda a sua história. Generoso, otimista e sempre grato, o taquaritinguense deixará boas lembranças na vida de todos.
 
Sempre muito participativo na internet, Cidinho comunicou em sua página do Facebook, no dia 10 de Janeiro, que estava hospitalizado após receber o diagnóstico da doença. Muito cauteloso com sua saúde, o empresário explicou o que estava ocorrendo e que procurou atendimento médico logo nos primeiros sintomas, mas acabou precisando de internação quando o quadro se agravou: 
 
Sim, covidei. 26.12, primeiro sintoma: garganta irritada. Antes da pandemia, Halls resolvia. Como sou muito medroso, graças a Deus, já procurei atendimento: kit de medicamentos preventivo em mãos, comecei o tratamento imediato. Perguntado sobre contato com outras pessoas, informei que estava frequentando muito pouco a Casa Nadir, e quando o fazia, ficava no escritório. Sempre tive muito medo. Dia 28.12 minha esposa perde olfato e paladar. Procura atendimento, é feito teste rápido, vírus confirmado. Eu e meu filho de imediato fomos ao gripário, fizemos o teste rápido. Deram negativos. Isolamento total. 30.12 eu também perdi paladar e olfato. Tudo bem. Nesse dia termina o tratamento de 05 dias. Meu filho e minha filha (então regressa de Ribeirão), continuam assintomáticos. Tudo tranquilo. Tempo usado pra relaxar, iniciar um bom livro. Dia 01 à noite, tosse. Corro ao PA(sim, qualquer alteração de quadro eu já corria). RX pulmões marcado para 02.01. Secreção detectada, começo novo tratamento, mais 05 dias. Tomografia dos pulmões agendada para 04.01, para melhor identificar a gravidade da lesão. Tomografia confirma tomada de +- 40% . Internação imediata. Então, nesse momento, tínhamos a seguinte situação: casa de 04, os 02 mais jovens não tiveram contato com o vírus, até hoje, conforme comprovados em exames posteriores. Os 02 véios chatos, que reduziram drasticamente a saída de casa, 60 vezes por dia entre água, sabão e álcool gel, contaminados.
Segui tranquilo para a internação,fui caminhando até o quarto. Aí começou a haver PIORA do quadro. COMO ASSIM??Fiz o tratamento preventivo corretamente. Ou seja, meu organismo foi municiado de armamento de guerra. Pois é…😪😪. Ir ao banheiro começou a não dar mais. Fraqueza absurda, cansaço excessivo. Febre. Medicação é alterada para a máxima possível, igual de UTI. Estou sendo assistido pelo doutor Geraldo (uma benção enorme pra mim), e maravilhosamente bem atendido por todos, enfermeiros, limpeza, cozinha. Nova tomografia demonstra piora das lesões pulmonares. Dessa vez o médico não quis falar de percentual. E eu sinto e entendo o porquê. Febre causada pela infecção cedeu. Infecção cedeu. O problema agora são os pulmões. Saber se estabilizou nas lesões. Já sei que a recuperação será lenta. Não tenho pressa. Já tive problemas anteriores. MAS CONHECIA O INIMIGO E SUA MORADA. Tumor na parótida detectado, o melhor especialista contratado, muitos pedidos e orações, problema resolvido.
Agora é diferente. Ninguém conhece todas as faces do inimigo. Ninguém é ESPECIALISTA EM COVID. É tentativa, acerto e erro, com informações sobre o que está dando, ou não, certo no combate à pandemia no mundo todo. O terror e desespero estampados no rosto da minha esposa e filhos é algo assustador. Nunca tiveram tanto medo de perda. Confesso que algumas vezes também bate em mim. Quando 02 minutos sem oxigênio derrubam teu índice de 96 pra 80; quando uma simples ida ao banheiro é impossível, você tem atestada e confirmada sua insignificância. Minha postagem sobre desejar saúde foi quando eu me sentia bem, ainda. Algo de bom nisso tudo? Não.
MARAVILHOSO!! Tantas e tantas manifestações de amigos, conhecidos, de todos os credos, com mensagens, orações, novenas, jejuns. Como eu sou abençoado, Senhor!! E fica um alerta: cuidado, cuidado e mais cuidado. Com nosso zelo e cuidado, pegou minha casa. O meu, forte, fez estrago gigantesco. Precisa de sair pra trabalhar. Vai trabalhar. Com os cuidados de sempre. Precisa aglomerar fim de semana? Ahim, mas os jovens tão cansados de ficar em casa. E VOCÊ ACHA QUE OS MÉDICOS, ENFERMEIROS, PROFISSIONAIS DA LINHA DE COMBATE, NÃO ESTÃO??? E mais uma coisa: não adianta a discussão do certo e errado. Não tem certo nem errado. É tudo novo. A situação modifica conforme o organismo. Minha esposa tinha a saúde mais frágil. Pegou forte em mim. Gratidão por tudo e todos. Perdoem se eu não consigo responder a todas as mensagens. Mas meu coração está confortável e grato.”
 
 
Cidinho tinha 55 anos, era casado com Rosana Rodrigues e deixa os filhos Camila, Isabela e Leonardo. Ainda não há informações sobre o seu sepultamento.
 
 
Cidinho da Casa Nadir:
 
Há 20 anos, Arivaldo Aparecido Rodrigues, o Cidinho, deixou a estabilidade do serviço público para ingressar no comércio.
“No ano 2000, o Milton Nadir [empresário e ex-prefeito] colocou sua loja à venda e a ofereceu para o Adail Regatieri [engenheiro]. Milton ia ser candidato a prefeito, e não dispunha mais de tempo para tocar o negócio, iniciado pelos pais dele nos anos 1940. O Adail disse que só compraria se eu entrasse como sócio. Aceitei e depois acabei adquirindo a parte dele também.
Valeu a pena ter deixado um emprego de 19 anos e estabilidade no Banco do Brasil. Não que eu não fosse feliz como bancário. Eu era, mas queria enfrentar novos desafios. O importante é ser feliz no que faz, tanto que escolhi como slogan da Casa Nadir a frase ‘Prazer em te ver sorrir’. A frase é verdadeira, porque as pessoas gostam de ser bem atendidas.
As pessoas que desejam empreender, iniciar um negócio, devem conhecer bem o segmento e buscar apoio do Sebrae. Nesses 20 anos à frente da loja, fui reaprendendo as regras do comércio. Foi mais fácil porque a Casa Nadir tinha 57 anos e um nome consolidado no mercado.
A Casa Nadir era essencialmente uma loja popular. Ela não deixou de ser popular, mas agora atende todas as faixas etárias e econômicas. Também introduzi novidades, como o setor de calçados.
Em abril de 2021, a loja vai completar 77 anos. A expansão também foi uma decisão acertada. É muito gostoso manter uma relação estreita com o cliente, chamar cada um pelo nome.
A criatividade é essencial. Em 29 de junho de 2001, lancei a promoção Dobradinha Imbatível, para ocupar aquele vácuo que existe entre o Dia dos Namorados [12 de junho] e o Dia dos Pais [segundo domingo de agosto]. Essa promoção existe até hoje. Toda sexta-feira, duas peças são colocadas em oferta. A dobradinha deu tão certo que ela foi mantida e estendida para o sábado. O recorde de peças vendidas foi 1.350 calcinhas de coton e lycra. Em volume, o recorde foi 450 edredons em dois dias. Até fiz um cálculo: se eles fossem empilhados, daria a altura de um prédio de 22 andares.
O que não pode faltar é disposição. Trabalho desde os 11 anos. Comecei vendendo garrafas vazias para o Supermercado Tafuri, do seu Cármine Tafuri, onde hoje é o Alozinho Calçados. Depois fui trabalhar no Estabelecimento Marino, do seu Anselmo Marino, também na Prudente de Morais. Detalhe: a neta dele, a Margareth, faz parte da nossa equipe.
Aos 12 anos, fui convidado pelo seu Orlando Guimarães para cuidar da Papelaria Guimarães, junto com seu Eustáquio Pozzetti. Ele ficava de manhã e eu à tarde. Era no prédio ocupado atualmente pelo Dollar Brasil. Depois, permaneci por dois anos na Drogalar, do seu Osmar Girotto, de onde saí aos 15 anos para ingressar como menor aprendiz no Banco do Brasil.
Fiz questão de citar o nome de todos como forma de agradecimento pela oportunidade que me deram. Nunca precisei pedir emprego – sempre fui convidado. Como tenho raízes no comércio, não me arrependi de ter deixado o banco e voltado para onde comecei minha vida profissional.” (Texto feito pelo jornalista Nilton Morselli em 22 de Dezembro de 2020, como forma de homenagear o taquaritinguense em seu último aniversário).
Cidinho: Empresário deixa saudades e um legado de que a vida precisa ser vivida a cada instante

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