No alto do Aconcágua: Taquaritinguense chega ao topo da maior montanha das Américas

O taquaritinguense Aleomar Galassi, de 46 anos, conseguiu chegar ao topo da montanha do Aconcágua em uma aventura vivida no mês de Janeiro deste ano. Considerada o ‘teto das Américas’, o local possui 6.962 metros e já estava visado pelo atleta há algum tempo, quando ele o desafiou em outras duas oportunidades, nos anos de 2011 e 2013. A conquista foi celebrada e definida pelo empresário como um dos maiores sonhos realizados em sua vida.

Em entrevista ao Jornal Tribuna, Aleomarzinho (como é conhecido) conta que iniciou no esporte ainda menino, mas sempre como forma de lazer. Aos 12 anos, viajou para Bariloche (Argentina) para conhecer a neve e acredita que a experiência foi decisiva para intensificar o contato com a natureza. “Fiquei fascinado quando tive o meu primeiro contato com a neve; lembro que foi algo extraordinário, uma oportunidade que me modificou profundamente. Foi a partir daquela viagem que eu percebi que gostaria de estar perto da natureza o mais frequente possível. Aquele passeio foi a raiz de tudo”, disse.

Apesar de suas responsabilidades diárias com estudos e, mais tarde, com a empresa da família, o taquaritinguense nunca deixou de praticar atividade física e foi se aprimorando no esporte. Na adolescência, conhecia o mundo através de revistas e programas de televisão antes da chegada da internet; com a tecnologia, o desejo de se aventurar foi intensificado e ele passou a se dedicar e adquirir conhecimento suficiente para encarar novos desafios.

Os estudos para praticar esportes radicais se iniciaram em 1992, quando Aleomar fez seu primeiro curso básico de mergulho, seguido por um curso de rapel quatro anos depois. Em 1998, o empresário concluiu o curso de escalada de rocha, na cidade de Analâdia (SP) e, em 2004, fez seu primeiro curso no exterior, realizado na Argentina, Na oportunidade, ele se aprimorou na técnica de escalada no gelo no Parque Nacional Nahuel Huapi, encarando o “Cerro Tronador” (vulcão com 3.491 metros de altitude). Mesmo com a paixão, ele nunca pensou em levar o esporte como profissão.

Em mais de 20 anos de prática esportiva radical, Aleomar já conheceu mais de 30 países e enfrentou mais de 40  montanhas de alto risco, sem repetir nenhum desafio depois que alcança o seu topo . Durante a trajetória, houve momentos em que o taquaritinguense se aproximou da morte. “Costumo dizer que, em esportes de risco, é preciso ter sorte, pois há fatores e situações que saem do controle humano. Quase morri congelado em uma vez que estive no Peru; depois de encarar mais de 18 horas em duas escaladas, eu estava na parede vertical de uma montanha de quase 6 mil metros quando percebi minhas mãos congelarem. Minha consciência e coordenação motora foram se modificando e eu notei que havia algo de errado comigo; é como se meu corpo entrasse em colapso pela falta de oxigênio causada pelo rarefeito. Fui salvo graças ao cozinheiro e o guia que me acompanhavam, pois o movimento das minhas mãos era limitadíssimo e eles que me tiraram da parede, passando cordas em meus equipamentos de segurança e revezando para me ajudar a sair. O detalhe é que, na maioria das vezes, fico acompanhado de apenas uma pessoa; ou seja, tive muita sorte mesmo!”, enfatiza.

Depois do episódio, o taquaritinguense retornou para o município e repensou na sua conduta dentro do esporte. “Por mais experiência que tinha, o que aconteceu comigo no Peru me fez perceber que não sou profissional e eu estava arriscando muito a minha vida”.

No ano seguinte, o empresário retomou a prática com menos intensidade, mas com a mesma vontade de estar só com a natureza. “Fazer esporte e, especialmente, escalar montanhas, é algo que me alimenta espiritualmente. Não há como explicar a sensação; é uma coisa particular que, só que pratica, sente. É a única experiência que te deixa em contato com a natureza ‘pura’ e todos os seus extremos, como frio, vento, calor e nevasca. Cada viagem que faço tem uma essência única, onde vejo a vida e a morte de perto e posso conhecer meu corpo e os limites que ele alcança”, declara.

A preparação física começa cerca de dois meses antes da viagem que, normalmente, ocorrem no início do ano em meses que ele consegue conciliar com as férias do trabalho. Aleomar ainda revela que faz parte de uma pequena porcentagem da população mundial que possui facilidade na adaptação em lugares com altitude elevada. “Acredito que minha genética também ajuda na prática de esportes radicais. A maioria dos seres humanos não suportam locais com mais de 4 mil metros de altitude, pois a partir desta marca, a saturação do ar diminui drasticamente. Enquanto a oxigenação do sangue abaixa para 70 no oxímetro (aparelho para aferir), o meu permanece em quase 90 quando estou na montanha; ou seja, é como se eu estivesse em qualquer outro lugar do mundo, pois não sinto tanta fadiga”.

O taquaritinguense está entre os seis montanhistas brasileiros que mais atingiram o cume de montanhas com mais de 6 mil metros de altitude. Ele já planeja sua próxima viagem, programada para ocorrer no início do próximo ano, mas não revela o seu destino.

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