Em Taquaritinga (SP): Vara da Criança e Juventude mobiliza famílias para apadrinhamento de crianças acolhidas na Casa Abrigo

     A Vara da Criança e Juventude de Taquaritinga (SP) está mobilizando famílias para o apadrinhamento de crianças e adolescentes de 6 a 18 anos da Casa Abrigo, que possuem baixas chances de serem adotados.

     O objetivo da ação proporcionar laços afetivos e duradouros por meio da convivência familiar e comunitária, além de suporte material (como roupas, sapatos e lazer) e assistência por meio de atividades complementares (música, idioma, esportes, etc).

     O programa oferece três formas de apadrinhamento:

– Afetivo: por meio de visitação regular da criança ou adolescente, com possibilidade de retiradas da entidade de acolhimento (inclusive com pernoite e viagens) em finais de semana, feriados e férias escolares, para possibilitar-lhes convivência familiar e comunitária com vivências positivas e saudáveis. O padrinho e a madrinha não recebem a guarda da criança ou do adolescente, pois o guardião continua a ser o responsável pelo Serviço de Acolhimento;

– Prestação de Serviços: por meio de trabalho voluntário de profissional qualificado que se cadastre para atender os participantes do projeto, conforme sua especialidade de trabalho ou habilidade. Poderão ser pessoas físicas ou jurídicas, mediante ações de responsabilidade social junto aos Serviços de Atendimento;

– Financeiro: fornecimento de suporte material ou financeiro, seja com doação mensal em dinheiro ou patrocínio de cursos profissionalizantes, reforço escolar, práticas esportivas, lazer e cultura, atendimentos médicos e afins.

     O apadrinhamento de crianças entre 0 a 5 anos ocorre somente em casos excepcionais, quando a medida se faz necessária. Grupos de irmãos também devem ser mantidos unidos.

     O Juiz titular da Vara, Dr. Matheus de Souza Parducci Camargo, vê a iniciativa como uma atitude inclusiva e de acalento. “Os acolhidos estão na Casa de forma temporária e o Judiciário sempre busca alternativas para que essa situação seja o mais breve possível, mas sabemos que em alguns casos essa estadia não é transitória. Muitas vezes os vínculos com a família biológica são rompidos pelos pais que não demonstram condições de cuidar de seus filhos sem coloca-los em risco. O projeto vem com a finalidade de normalizar ao máximo a rotina das crianças assistidas, para que elas tenham acesso a tudo o que uma criança tem estando em sua família de origem”, disse em entrevista ao Jornal Tribuna.

     Os voluntários que desejam participar do programa passarão por um processo de preparação composto por entrevistas com diferentes profissionais, pessoas do Serviço de Acolhimento Institucional e membros do Judiciário. Todas as etapas são necessárias para que eles entendam o papel que exercerão na vida das crianças e jovens, evitando que haja uma nova ruptura ou abandono de quem será apadrinhado.

     “O apadrinhamento não se confunde com adoção. Ele é a construção de um vínculo duradouro através da convivência, mas sem exercer a paternidade ou maternidade com a criança”, finaliza.

     O futuro padrinho deve ter idade mínima de 21 anos, residir em Taquaritinga ou em municípios da Comarca (Santa Ernestina, Fernando Prestes ou Cândido Rodrigues) e apresentar documentação exigida, como cópias do RG e CPF (se Pessoa Física) ou CNPJ (se Pessoa Jurídica), certidão de Casamento ou Nascimento (se solteiro(a)), comprovante de residência, comprovante de rendimentos (holerite, carteira de trabalho, declaração do empregador ou contador, etc.), atestado médico de sanidade física e mental.

     No apadrinhamento afetivo, o candidato deve ter diferença de idade de pelo menos 16 anos a mais que o apadrinhado e, se casado ou convivente em união estável, a inscrição deverá ser conjunta. Uma declaração de que não resida com pessoas dependentes de substâncias psicoativas também é pedida.

     A inclusão no programa dependerá da manifestação favorável da criança ou adolescente, tendo sua opinião considerada em todos os atos do programa, inclusive, para recusar o padrinho indicado.

    Atualmente, a Casa Abrigo conta com 14 crianças acolhidas, sendo que 30% delas estão aptas a participarem do programa. O local das inscrições ainda está sendo estruturado, bem como o treinamento da equipe para receber os interessados.

     A data de abertura do processo seletivo será divulgada em breve.

 

 

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