Em Taquaritinga (SP): Empresária celebra a vida após 40 dias na UTI por Covid-19

 “Minha família já está fazendo o café para meu velório”. Quem escreveu essa frase foi Sidlene Macedo (conhecida como Sidy), em tom sarcástico, momentos antes de ir para a Unidade de Terapia Intensiva por conta de complicações causadas pela Covid-19. A postagem foi feita pela empresária, de 28 anos, em seu perfil pessoal no Facebook, já deixando clara a tentativa de manter o bom humor diante de uma batalha que se iniciava naquele dia.

A mensagem chamou tanto a atenção que os internautas passaram a acompanhar as notícias da taquaritinguense, conhecida nas redes sociais pelo seu entusiasmo e a leveza que tem ao fazer a divulgação de seu trabalho na internet. Dona de um sex-shop, a moça espalha o empoderamento feminino, encorajamento e autoaceitação.

Logo após a postagem, Sidy foi encaminhada para a UTI, onde permaneceu por 40 dias. Diagnosticada com a variante colombiana B.1.62, a empresária conta que começou a sentir os primeiros sintomas logo após sua chegada de Cancún no início de Julho –  viagem que estava marcada desde Fevereiro de 2020. “Comecei a ter tosse e um pouco de falta de ar, mas entrei em alerta quando a febre apareceu. Fui ao Pronto Atendimento da Santa Casa e o resultado do teste já deu positivo. Estava na companhia de um amigo na viagem e ele não se infectou. Durante o passeio mantivemos todos os cuidados possíveis. Fizemos o teste PCR antes de sair do México e deu negativo. Por isso considero a hipótese de que fui infectada no aeroporto no momento em que retornávamos para o Brasil”, disse entrevista ao Jornal Tribuna.

Enquanto seguia o tratamento em casa, a dispneia foi se agravando e ela precisou ser internada dois dias depois. Nos dias mais críticos, ela chegou a ter 90% do pulmão comprometido.

Sidy precisou ser intubada e ficou inconsciente por mais de um mês, passando por duas tentativas de extubações sem sucesso, além de procedimentos mais invasivos, como traqueostomia e hemodiálise. Emocionada, ela revela que chegou a pensar que o pior aconteceria. “Por mais que tentamos manter a cabeça firme e pensar que tudo dará certo, somos seres humanos e fraquejamos. O caso era grave e eu estava consciente disso. Quando soube que seria intubada, cheguei a escrever uma carta para minha família, dizendo que, independente do que acontecesse, eu estava feliz pela vida que tive até aquele momento”, relata.

No dia 8 de Agosto, a empresária acordou. Membros da equipe médica foram os primeiros a celebrarem sua vitória. ”Eles comemoraram comigo. Me diziam que eu era um milagre. Faziam brincadeiras. É indescritível a humanidade que esses profissionais tem. Isso faz toda a diferença no tratamento. Eu percebia a reação de cada um quando algo estava errado, pois eles ficavam frustrados também. Quando acordei, eles vibravam comigo. É algo que está no meu coração e que não esquecerei jamais”.

Em 22 de Agosto, a taquaritinguense recebeu a notícia que tanto aguardava: estava de alta. Hoje, ela se recupera em casa com poucas sequelas e diz ser muito grata com a segunda chance que teve de viver; isso porque, há três anos, ela também ficou debilitada após sofrer um acidente de trânsito enquanto conduzia sua moto, passando por sete cirurgias em um de seus braços Fisioterapia, repouso e acompanhamento médico farão parte de sua rotina por, no mínimo, mais dois meses.

Quando questionada, ela declara não se arrepender de ter saído de férias ao destino que sempre sonhou. “Faria tudo de novo. A viagem foi incrível, é um lugar maravilhoso. Aproveitamos muito. Infelizmente teve esse desfecho, mas não quero lembrar só da parte triste, quero ver o quanto fui feliz também. Acredito muito nessa crença de que todos temos a nossa hora de morrer. Essa, definitivamente, não era a minha. Não estou banalizando tudo o que passei e também tive tempo de aprender e refletir sobre muitas coisas. Tenha certeza de que buscarei, todos os dias, o motivo pelo qual estou aqui ainda.”, finaliza.

Na última segunda-feira (30), a taquaritinguense recebeu a primeira dose da vacina contra a doença.

Momento em que a taquaritinguense Sidlene Macedo tomou a primeira dose da vacina da Covid-19, quase dois meses depois de luta pela vida contra a doença

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