Covid-19: “Salvar a vida dos pacientes é mais importante do que saber o total de infectados na cidade”, diz diretor técnico da Santa Casa de Taquaritinga (SP)

O contágio do novo Coronavírus avançou por Taquaritinga nos últimos dois meses; em 60 dias (Junho/Julho), 180 pacientes foram infectados pelo vírus. A situação, já esperada pelas autoridades da Saúde, ainda é considerada controlada, já que a porcentagem de pessoas curadas é de 81% e ultrapassa os casos ativos.

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Mesmo com o aumento significativo de pacientes, a pandemia chegou ao município a tempo do Comitê de Combate a Covid-19 traçar estratégias e criar protocolos de tratamento para que os pacientes tratados aqui tivessem maiores chances de vencer a doença. “Sabíamos que contágio seria inevitável, pois se trata de uma pandemia mundial, mas não trabalhamos para não termos casos confirmados e, sim, quadros menos graves. A intenção não é que o trabalho apareça, mas que ele reflita de forma positiva no combate à Covid-19”, disse o neurologista e diretor técnico da Santa Casa de Taquaritinga, Maurício Lofrano, em entrevista ao Jornal Tribuna.

Importante pilar no combate à Covid-19 no município, Maurício integra a equipe médica responsável por estabelecer um protocolo de prevenção e tratamento que está refletindo no controle de número de internações na ala da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Vejo muitas pessoas preocupadas em relação à testagem aqui em Taquaritinga, mas o diagnóstico é importante somente para não perdermos o controle do contágio na cidade. Paralelo a isso, o meu foco sempre esteve em não deixar esses pacientes terem complicações que podem precisar, em algum estágio da doença, de internação ou de intubação. Graças a Deus, até o momento, muitos moradores se curaram e conseguiram vencer a doença com o tratamento que sugerimos”, explica.

Dr. Maurício Lofrano; neurologista e diretor técnico da Santa Casa de Taquaritinga

Medicamentos:

Quanto à eficácia da medicação prescrita, o neurologista endossa que qualquer remédio disponível no mercado está em fase de testes; porém, o relato dos médicos que acompanham os pacientes testados positivos tem grande peso neste momento e é nesta troca de informações que os profissionais estão traçando as melhores condutas de tratamento. “Infelizmente, estamos aprendendo com os pacientes que desenvolvem a forma grave desta enfermidade e, na falta de arsenal para lutar contra esse vírus, alguns médicos utilizaram a Ivermectina no tratamento. Nada foi cientificamente comprovado até o momento, mas os níveis observacionais apontam que as pessoas sofreram atenuações nos quadros de síndromes gripais depois do uso do antiparasitário. É um bom resultado e, no momento, sabemos que podemos contar com, ao menos, uma aposta potencialmente importante contra a Covid-19. São relatos oriundos de pessoas de credibilidade e com grande valor na área médica”.

Questionado sobre a Hidroxicloroquina, a primeira medicação apontada no país com suposta eficácia contra o novo Coronavírus e amplamente apoiada por personalidades públicas, como o presidente da República Jair Bolsonaro, Maurício diz ter o mesmo posicionamento diante de outros fármacos. “Se tratando de uma doença nova como essa, tudo é muito observacional. A cloroquina é outro caminho para a cura da Covid-19 e cabe cada médico, com seu nível de experiência, prescreve-la ou não. Eu não interfiro na conduta dos meus colegas de profissão. Se os resultados apontarem eficiência, vamos nos aprofundar no assunto. O importante é recuperarmos a saúde de nossos pacientes”, relata.

Máscara de proteção é a nossa vacina:

O bom desempenho das autoridades de Saúde no combate ao novo Coronavírus em Taquaritinga tem criado uma sensação de segurança em muitos munícipes; prova disso são as inúmeras aglomerações encontradas em todas as áreas da cidade, principalmente, aos finais de semana. O relaxamento no cumprimento das medidas de prevenção orientadas pelo Comitê pode ter contribuído, significativamente, para o aumento de casos positivos na cidade; de acordo com o Secretário de Saúde, José Fonseca Neto, muitos moradores foram contaminados em aglomerações. “Fatores podem ter contribuído para este comportamento social, como o afrouxamento de medidas para a retomada das atividades em diversos setores, mas não podemos esquecer que ainda estamos muito vulneráveis. Ás vezes você carrega o vírus no bolso sem saber”, disse.

Maurício relembra a importância do distanciamento social, da higienização das mãos com água e sabão ou álcool em gel 70% e, principalmente, do uso da máscara de proteção individual. “A máscara é a nossa vacina enquanto a dose imunizante não seja concluída”, finaliza.

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