Médica taquaritinguense relata experiência de trabalho nas Forças Armadas Brasileiras

Começar a atender em postos de saúde ou ingressar em uma área de especialidade são alternativas que médicos recém-formados possuem depois de concluírem a faculdade e receberem o diploma. Mas a jovem Tauana Ogata encontrou um terceiro caminho; a taquaritinguense optou por iniciar sua carreira profissional nas Forças Armadas Brasileiras.

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Sua jornada fora de casa e longe da família começou cedo, quando ela deixou a cidade-natal para concluir o Ensino Médio em Ribeirão Preto (SP) aos 16 anos. No ano seguinte, em 2011, ela conquistou a aprovação na Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Minas Gerais. Foram seis anos de muita dedicação e conhecimento, especialmente no último período, quando a jornada de estudos/plantões médicos ultrapassava 290 horas por mês.

Já no fim da primeira fase acadêmica e insegura quanto aos desafios do próximo ano, a jovem’ decidiu se inscrever no processo seletivo das Forças Armadas Brasileiras; trabalho que ela teve oportunidade de conhecer ainda na universidade. “Um médico que termina a faculdade no Brasil possui, basicamente, três opções: prestar a prova na área em que você quer se especializar (residência), trabalhar como clínico-geral em postos de saúde ou unidades de urgência/ emergência, ou ainda, trabalhar nas FAB. Quando eu comecei a estudar, eu não conhecia essa possibilidade e só fui ter contato com ela dentro da UFTM”, disse em entrevista ao Jornal Tribuna.

A área médica que ela desejava se especializar era Dermatologia. Ciente da alta concorrência por uma vaga, a jovem também decidiu fazer o processo seletivo para as Forças Armadas. “Fiz as inscrições nas duas provas porque havia a possibilidade de transferir o início da residência médica para o ano seguinte caso eu fosse aprovada nas duas opções. Deu tudo certo e como eu estava saindo de um ano extremamente exaustivo, decidi servir as FAB para que eu pudesse juntar forças e me dedicar com mais energia na especialização no ano seguinte”, conta.

As Forças Armadas são compostas por três segmentos e a taquaritinguense optou por trabalhar na Marinha, segundo ela, pela maior aceitação de mulheres na equipe e pelo curto período de graduação militar que ela proporciona. “Há duas formas de servir as FAB; pelo serviço voluntário, onde o aluno fica por um tempo máximo de 8 anos, ou então, o ingresso para construir carreira militar. Eu escolhi a primeira opção”.

O primeiro dia da médica no 7° Distrito Naval, em Brasília (DF), foi em 20 de Fevereiro de 2017 junto com outros 34 colegas de profissão. “Confesso que quis desistir no primeiro dia (risos). A recepção dos militares é muito rígida (física e psicologicamente) e acredito que seja uma espécie de ‘triagem’ para saber quem realmente que ficar”, explica.

Nos dois primeiros meses de academia, Tauana relembra as mais valiosas lições e experiências que passou. “Aprendemos exclusivamente sobre militarismo no primeiro semestre. Depois, temos que nos acostumar com a restrição (proposital) de comida, cumprimento de horários, muita disciplina e respeito à hierarquia; somos treinados para sobreviver em uma guerra”, enfatiza.

Alguns momentos vividos por Tauana durante os doze meses que esteve nas Forças Armadas Brasileiras (Fotos: Arquivo Pessoal)

Tauana começou a atender no Hospital Naval de Brasília após se graduar como Guarda Marinha; sua rotina de trabalho era de 30 horas semanais e uma média de três pacientes por hora. “Como se trata de uma unidade médica exclusiva para militares e dependentes, o número de pessoas com acesso a ele era bem reduzido. Isso possibilitava que eu estudasse e mantivesse outras atividades no contraturno”.

Um ano depois, em Fevereiro de 2018, a médica se formou como 1° Tenente e deixou Brasília para iniciar seus estudos novamente; agora, na capital paulista. Dois anos depois, ela confessa o desejo que tem de retornar nas Forças Armadas para servi-la, agora, como Dermatologista.

“É uma experiência única, um momento em que você não está lá para se aprimorar como profissional, e sim, como ser humano. Tudo o que você vivencia te ajuda a compreender as pessoas e aprender a acolhê-las de uma forma melhor. É simplesmente maravilhoso! Para um médico recém-formado, não há vivência melhor. Incentivo todas as pessoas que me perguntam e sempre reforço a frase: ‘você não vai se arrepender…’ ”, finaliza.

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