Em Taquaritinga (SP): Sobrevivente de soterramento revela detalhes de como o acidente aconteceu

Um deslizamento de terra ocorrido na manhã de terça-feira (29 de Outubro), por volta das 9h, em Taquaritinga (SP), deixou dois taquaritinguenses soterrados. Os profissionais da construção civil trabalhavam em uma obra de um posto de combustível localizado ás margens da Rodovia Laurentino Mascari, próximo à entrada do distrito de Guariroba, em Taquaritinga (SP), quando cerca de 45 m³ de terra despencou  sobre  Danilo Cacheta e José Ricardo Marques de Oliveira. Um deles acabou falecendo no local e outro contou, com exclusividade ao Jornal Tribuna, como tudo aconteceu.

Em entrevista concedida na tarde de quarta-feira (30 de Outubro), Danilo relatou que ambos estavam fazendo a medição do nivelamento em uma obra de tubulação quando foram encobertos pela terra. “Tudo aconteceu em frações de segundos; não houve barulho ou poeira que pudesse nos alertar sobre o desmoronamento. Eu e meu companheiro estávamos trabalhando a cerca de 3 metros de distância em uma vala de 4 metros de profundidade quando a terra caiu. Não tive tempo de raciocinar e, quando percebi, já estava soterrado”.

O taquaritinguense disse que usava seu óculos e ficou de pé, encostado na coluna da valeta que estava sendo aberta, segurando duas ferramentas em suas mãos. “Fiquei, literalmente, enterrado, com mais de um metro de terra sobre a minha cabeça. Mas, para minha sorte, um pequeno buraco ficou aberto e eu conseguia ver a luz do sol e respirar por ele; era bem pequeno, quase da grossura do lápis, mas foi o que me salvou. Quando ela caiu eu estava de lado para o muro e senti que a terra me “jogou” um pouco para cima; acredito que isso também tenha me ajudado a sobreviver”.

O encanador declarou que, mesmo soterrado, conseguia ouvir a movimentação das pessoas que tentavam resgatá-lo. “Mesmo ouvindo os colegas de trabalho se aproximando do local onde eu estava, tive muito medo. Só pensava na minha família e, por um momento, achei que fosse morrer”.

O momento de angústia durou mais de 20 minutos, até que um dos trabalhadores conseguiu retirar a terra de sua cabeça e desobstruir a passagem de ar. Danilo ressalta que o trabalho feito pelos socorristas foi de extrema importância para que ele fosse estabilizado e extraído do local pelo Corpo de Bombeiros. “As equipes chegaram rapidamente e me forneceram oxigênio para eu respirar melhor. Me senti mais tranquilo quando vi que eles estavam lá”.

O taquaritinguense também lamenta que tenha perdido o amigo. “Conhecia ele há mais de 35 anos. Infelizmente ele não teve a mesma sorte que eu”.

O trabalhador diz se considerar um homem de sorte ao relembrar que esta não foi a primeira vez que esteve perto da morte. “Na segunda-feira (28 de Outubro), dia anterior do acidente, completou seis anos de outro grande susto que levei enquanto eu trabalhava. Eu estava andando em um telhado de um supermercado quando pisei na parte que o forro estava frágil e caí de uma altura de mais de três metros. Fraturei meus braços e minha pelve (bacia). Agora, escapei de mais uma”, brincou.

Danilo ficou em observação médica por mais de doze horas, sendo submetido a exames e obtendo alta ás 22h de terça-feira. Já na manhã de quarta-feira (30 de Outubro), ele visitou o quartel do Corpo de Bombeiros para agradecer toda a dedicação dos soldados durante seu resgate.

A operação durou mais de três horas e mobilizou cerca de 15 bombeiros das cidades de Taquaritinga, Itápolis e Araraquara, além das equipes da Polícia Rodoviária de Itápolis, Polícia Militar de Taquaritinga e o helicóptero-águia da cidade de Ribeirão Preto (SP).

A vítima fatal tinha 57 anos e foi sepultada na manhã de quarta-feira (30) no cemitério de Jurupema. Ela era casada e deixou dois filhos.

As causas do acidente serão investigadas pela Polícia Civil e o boletim de ocorrência foi registrado como “Homicídio Culposo”, quando não há intenção de matar.

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