Em Taquaritinga (SP): Peregrino caminha até Santuário de Aparecida após família ser curada da Covid-19

Terminou, na última terça-feira (9), a peregrinação de Sérgio Antônio Daguana, de 50 anos, rumo ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. O morador de Taquaritinga (SP) percorreu o caminho durante 12 dias em agradecimento a um pedido alcançado.

A caminhada foi movida pela gratidão da cura da Covid-19 de sua família, em especial, de sua esposa Elisangela Ordine. A doença chegou no lar de Sérgio no dia 9 de Junho, três dias antes de seu filho Vitor completar 18 anos. Após o diagnóstico positivo dos três, todos seguiam em tratamento domiciliar quando ‘Liz’ apresentou piora no quadro e precisou ser internada às pressas.

“Minha esposa foi internada já bastante debilitada, mas enquanto ela estava no quarto,  podíamos conversar e ela mandava notícias toda a hora. Dias depois, ela me mandou uma mensagem dizendo que ia para a UTI; foi nessa hora que agarrei a imagem de Nossa Senhora que tenho no nosso quarto e implorei para que ela protegesse minha mulher, para que ela voltasse para a casa”, disse em entrevista ao Jornal Tribuna.

A espera por notícias de Elisangela era acompanhada pela difícil recuperação do motorista e de seu filho. “Fomos lutando dia-a-dia, mas não conseguíamos fazer nada. A comida era levada por nossos familiares e amigos enquanto nos virávamos com os afazeres. Foi muito ruim, pois a doença judia demais”, relembra.

Enquanto a esposa lutava pela vida na Santa Casa, Sérgio relata que a imagem de Nossa Senhora ficou na cama do casal, ao seu lado. “Eu não tirei ela de lá por um minuto. Todos os dias eu pedia para, que se alguém tivesse que partir, que fosse eu, porque você sabe né, pai não sabe de muitas coisas, não sabe muito como cuidar do filho. A mãe sabe mais, é mais apegada. Eu pedia para que a Santa me atendesse pois pensava no Vitor e na Liz. Ela merecia viver para estar ao lado dele”, disse emocionado.

Durante os 14 dias de internação, a família viu amigos e pessoas próximas falecerem em decorrência da doença – notícias que a deixa ainda mais aflita. Mas Liz apresentou melhora e o motorista recebeu o telefonema que mais aguardava: ela estava de alta. “Levamos a imagem de Nossa Senhora quando fomos buscá-la no hospital. Sabemos que realmente foi um milagre”, relatou.

Diante da graça alcançada, Sérgio prometeu que caminharia até o Santuário para agradecer pela recuperação de sua família. O cumprimento da promessa teve início em 28 de Outubro, primeiro dia de férias do motorista. Com apenas uma mochila nas costas, ele saiu da casa onde mora (no Jardim Martinelli) em direção à Aparecida.

Pelo caminho de quase 500km, o peregrino enfrentou dificuldades para comer, descansar e a instabilidade do clima. Todos os dias, por volta das 4h, ele iniciava seu trajeto com o objetivo de percorrer de 40 a 50km diariamente. A dor e o despreparo físico, embora muito incômodos, não o fizeram desistir de visitar a Santa em sua verdadeira casa. “Alguns me diziam que eu estava louco ou que não conseguiria completar o caminho, mas eu sempre falava que Nossa Senhora me atendeu e eu preciso honrar meu compromisso com ela”.

Na manhã de terça-feira, a esposa e o filho foram ao encontro do motorista e o localizaram perto do Santuário, podendo acompanhar os últimos passos da jornada. Ao chegar na Igreja, a emoção não foi contida. “Passei o caminho inteiro chorando e agradecendo por Ela ter me ouvido. Estamos todos aqui, curados, que benção”, enfatiza.

O vídeo abaixo mostra o momento em que a família encontra o peregrino, já na cidade de Aparecida:

 

Sérgio ao chegar no Caminho do Rosário, em Aparecida, após 12 dias caminhando. Em seguida, nas escadarias do Santuário antes de assistir a missa e entregar a camiseta da empresa onde trabalha para ser abençoada. Ao lado, já com a família completa, o sorriso de ter cumprido sua promessa em agradecimento à N.S. Aparecida

 Antes de retornar para Taquaritinga, o motorista assistiu uma missa e aproveito para entregar a camisa da empresa onde trabalha, há 24 anos, para ser abençoada pelo padre.

“Não tem felicidade maior. Continuarei a clamar o nome de Nossa Senhora por onde for. Eu amo pronunciar o nome dela. Protetora da minha família”, finaliza.

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