Em Taquaritinga (SP): Ginecologista explica os impactos da Covid-19 em gestantes e puérperas

Em tempos de pandemia, as preocupações e questionamentos sobre a Covid-19 podem atrapalhar um momento único na vida de uma mulher: a gravidez. Por ser uma doença nova, é natural que o vírus desperte incertezas e medo quanto o que a infecção pode causar na gestante e no seu bebê.

De acordo com o ginecologista Dr. Rodrigo Alves Ferreira, mesmo as gestantes não sendo mais susceptíveis a serem contaminadas pelo novo Coronavírus, há um risco maior para desenvolverem as formas mais graves da doença.

Em entrevista o Jornal Tribuna, o médico ainda responde as principais dúvidas sobre o assunto. “Inicialmente, gostaria de agradecer o convite para falarmos sobre este assunto e aproveitar para informar que, diariamente, surgem novos estudos e novos dados são incorporados aos, anteriormente, disponíveis. Assim, é muito natural que a história de uma doença nova seja desvendada ao longo do tempo e o conhecimento a seu respeito seja atualizado continuamente até sua completa elucidação”, explica.

Dr. Rodrigo Alves Ferreira, professor associado do Departamento de Medicina e Diretor Técnico do Hospital Universitário da UFSCAR. Em Taquaritinga, o médico atende na Clínica SORRIVIDA, localizada na Rua Sete de Setembro, n° 375, centro. Telefone para contato: (16) 3252-2695

Gestantes estão inclusas no grupo de risco para a Covid-19?

As gestantes não estão mais susceptíveis a serem contaminadas pelo vírus SARS-COV2, agente causador da COVID-19; porém, o quadro clínico da doença tende a ser mais severo nestes pacientes. Em uma revisão de estudos acerca deste assunto, observou-se que existem outros fatores de risco associados à gravidade nas gestantes, a saber: idade superior a 35 anos, obesidade, hipertensão e diabetes pré-existente.

Qual o comportamento do vírus em uma gestante? Elas são assintomáticas? Quais as chances de desenvolvimento de sintomas mais graves do que em outras pessoas?

Assim como acontece em outros pacientes, foi observado que a maioria das gestantes ficará assintomática, porém há uma chance maior de desenvolverem o quadro moderado e severo do que não-gestantes. Em um estudo realizado em NY, nos EUA, foi observado que, entre 241 gestantes com exame positivo para a doença e que foram internadas para o parto, 61% delas foram admitidas no hospital sem qualquer sintomatologia, porém 30% delas apresentaram algum sintoma antes da alta hospitalar e entre as que foram admitidas, 5% tiveram quadro severo.

Para as gestantes que foram acometidas no início da gestação, existem poucos estudos a respeito. Não se confirmou aumento de risco de abortamento e nem alteração do desenvolvimento do desenvolvimento fetal. Porém, é cedo para uma conclusão definitiva.

A grávida infectada pode transmitir o vírus ao feto?

Sim, é possível, mas não parece ser comum. Até o presente momento, são poucos casos descritos da chamada “transmissão vertical”, ou seja, a transmissão do vírus da mãe para o feto, especialmente considerando o grande número de casos. Enfoca-se a necessidade de se manterem os cuidados já definidos de higiene (lavagem das mãos, álcool gel, etc.), uso de máscaras e distanciamento social após o nascimento do bebê para não se transmitir a COVID-19 a ele, após o parto.

Como é feito o tratamento em gestantes diagnosticadas com o vírus?

Até o presente momento, não há medicamento específico para gestantes em relação à. Utilizam-se os mesmos protocolos definidos para as demais pacientes, sempre baseados segundo a gravidade da doença. Há também, obviamente, nestes casos, atenção quanto à vitalidade fetal. É importante ressaltar que as gestantes com Covid-19 devem continuar seu pré-natal e poderão ser acompanhadas com maior brevidade nos seus retornos. É muito importante atenção especial ao atendimento de gestantes com Covid-19, pois deverão ser internadas todas as gestantes com sintomatologia moderada e aquelas com sintomas leves, mas que tiverem comorbidades.

O tipo de parto pode interferir na exposição ao vírus dentro de um hospital?

Não.

Gestantes com Covid-19 tem maior risco de parto prematuro? O diagnóstico pode refletir na escolha do parto pela equipe médica?

Até o presente momento, a presença da COVID-19 em gestantes não parece levar ao trabalho de parto prematuro e não há indicação de resolução da gestação por cesariana por conta da doença. Cada caso deverá ser conduzido para a via do parto, baseado em critérios obstétricos como nas demais gestantes. Entretanto, dependendo da gravidade que estiver a gestante, a cesariana poderá ser indicada para a paciente.

Houve alteração de protocolos no momento do parto?

Para a segurança da equipe que irá atender à gestante, foi aumentado o número de equipamentos de proteção individual a serem utilizados por cada membro da equipe (aventais completos descartáveis, máscaras do tipo N95, face-shields, dentre outros). Para a gestante, tudo dependerá do estado clínico dela.

Em sua experiência profissional, houve o aumento de ‘partos domiciliares’ por escolha de gestantes com receio da infecção dentro da unidade médica?

Não tenho informações a esse respeito.

Houve sequelas notadas nos bebês em que as mães contraíram a Covid-19 durante a gestação?

Até o momento não foram identificadas sequelas aos bebês cujas mães contraíram a doença.

A infecção pela Covid-19 interfere na amamentação?

Não interfere; a paciente deve amamentar, se estiver bem, ou seja, se o seu caso não estiver grave, se ela não estiver com falta de ar, por exemplo. Ela também deverá usar máscara durante a amamentação.

Há alguma recomendação específica para que as gestantes se protejam contra a Covid-19?

As recomendações são exatamente as mesmas: uso correto de máscaras, lavagem das mãos, uso de álcool gel e distanciamento social.

Quais são as orientações para as mulheres que desejam engravidar neste momento de pandemia? Adiar o plano da maternidade seria a melhor opção?

A decisão deve ser sempre do casal. Cabe aos profissionais de saúde avaliarem caso a caso e, dependendo da particularidade de cada um, discutir os riscos de se engravidar nesse momento comparando-se com o adiamento dessa decisão.

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