Em Taquaritinga (SP): Base destacada da PM em Guariroba é reestruturada e volta a operar no distrito

Estrutura foi reformada e policial militar já dá continuidade aos trabalhos desenvolvidos no distrito

A Base Comunitária de Segurança Distrital da 2° Companhia da Polícia Militar de Taquaritinga, em Guariroba, voltou a operar no distrito após passar por reestruturação no primeiro semestre do ano. O policial militar J. Carlos já reside nas novas instalações, dando continuidade aos trabalhos com a população local.

De acordo com o comandante Capitão Emerson Vieira Coelho, a base destacada foi inaugurada em 2006 com o Cabo PM Rômbola e precisou ser desativada por alguns meses depois da aposentadoria do militar no final de 2019. Neste período, houve a oportunidade de locação de um novo imóvel para que ele fosse adequado ao modelo de unidade utilizado em todo o Estado. “A iniciativa segue o modelo espelhado no policiamento japonês (Chuzaisho) para que o policial atue diretamente na comunidade, se tornando uma referência  na área. Entre suas funções está o registro de boletins de ocorrência, o desenvolvimento de ações em escolas e com a comunidade local e intensificação de patrulhamento na área rural, se tornando ponto de apoio para os munícipes que lá residem”, disse em entrevista ao Jornal Tribuna.

Com baixo índice criminal no distrito, a base registra uma média de cinco boletins de ocorrência por mês; os mais comuns são acidentes de trânsito sem vítimas e pequenos furtos. O comandante enfatiza que o principal objetivo de trabalho na base é atuar junto à comunidade, seguindo os preceitos de policiamento comunitário, evitando assim,  o maior número intervenção de outros policiais e estreitando os laços entre a PM e a comunidade. “A base comunitária vem sido complementada com o patrulhamento da Atividade Delegada nos distritos, onde conseguimos mantê-la em funcionamento desde a sua inauguração, agora, graças a voluntariedade do Cabo J. Carlos em trabalhar no projeto”.

O imóvel foi estruturado para conciliar a moradia da família com um ambiente direcionado ao trabalho da autoridade, contendo sala e banheiro específicos para o atendimento exclusivo dos moradores de Guariroba.

Vale ressaltar que o policial cumpre expediente de trabalho, possuindo carga horária como qualquer outro soldado, além de não atuar sozinho em qualquer ocorrência policial, devendo solicitar o apoio do pelotão de Taquaritinga em ocorrência mais complexas.

O comandante explica que, para a implantação de uma base destacada, há critérios a serem cumpridos de acordo com normas internas, como a quantidade mínima de população do local, distanciamento entre a base e a companhia de referência e voluntariedade de um policial. Atualmente, não há projetos para a criação deste segmento nos distritos de Vila Negri e Jurupema.

Implantação das bases distritais foi destaque na imprensa como ‘projeto inédito’ no país:

O jornal Folha de S. Paulo, um dos principais meios de comunicação do Brasil, registrou a criação das bases distritais de Taquaritinga e Itápolis em uma reportagem publicada no dia 8 de Novembro de 2000. Nela, se destaca a adoção do modelo de policiamento japonês na região. Confira na íntegra:

PM adota modelo japonês na região (Texto: Rogério Pagnan/ Folha Ribeirão)

A PM pode expandir para todo o Estado um modelo de policiamento comunitário implantado há dois anos nas regiões de Taquaritinga e Itápolis.
Pelo sistema, inspirado no modelo japonês chamado Chuzaisho (delegacia regional), o policial mora com sua família no posto da PM e sua mulher ajuda na realização dos trabalhos. “Ela (a mulher) atende o rádio, o telefone e transmite as informações ao marido quando esse estiver em patrulhamento pelas ruas”, disse a capitã da PM de Taquaritinga, Silvana Helena Souzza Sábio, 34.
Para conhecer a versão brasileira, uma equipe de policiais japoneses visita hoje o posto de Tapinas, no município de Itápolis. Na região de Taquaritinga há outras duas bases (Nova América e Agulha) já em funcionamento.
Em Tapinas, de acordo com Silvana, o trabalho está mais evoluído, pois alcança o objetivo do projeto que é a proximidade e a participação da comunidade.
Um dos trabalhos comunitários do soldado Antenor Batista Bueno Júnior, 33, é a realização de programas de combate às drogas na escola do distrito.
Além disso, Júnior faz visita a moradores e busca saber dos problemas da comunidade.
Essa aproximação, segundo a capitã, já propiciou a doação de um Gol zero quilômetro, um computador, rádios transmissores e o pagamento das despesas do posto policial.
“Não estamos criando nada de novo. Aliás, é uma volta ao passado, onde o policial era respeitado e não temido. As crianças cresciam com esse sentimento.”
Para Bueno Júnior, esse sistema requer uma total dedicação e integração do policial com o trabalho. Mesmo quando o soldado estiver de folga, diz o PM, ele estará atento, pois estará 24 horas sintonizado com o serviço.”
Fabiana Cristina Bueno, 24, mulher do PM, disse gostar do trabalho, pois pode acompanhar de perto o marido. Ela ganha um salário mínimo pelo serviço pago pela Prefeitura de Itápolis.
Para Fabiana, uma das dificuldades do trabalho é quando está fazendo trabalhos domésticos e é chamada pelo rádio ou ao telefone. Outro fato negativo que ela aponta é ter contato com mulheres vítimas de agressão. “Fico até sem dormir direito”, disse ela.
Segundo o major Miguel Libório Cavalcante Neto, chefe do Departamento de Polícia Comunitária de São Paulo, o projeto de Taquaritinga é inédito no país e começa a ser desenvolvido também em cidades como São José do Rio Preto e Jaú.

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