As urnas falam

Passadas as eleições e toda histeria provocada pela campanha eleitoral é momento de reflexão por parte não apenas dos políticos, mas por todos que se interessam por política. Os números depositados nas urnas deram um recado que algumas lideranças custarão a aceitar, mas que o cidadão comum externa e absorve com naturalidade.
Desde há muito que apoio político não se converte em vitória, principalmente aqueles de peso que, via de regra, são um fardo enorme para carregar. As paixões e a ânsia pela vitória turvam a visão de líderes que se tornam reféns de esquadrejamentos. Além de não agradar a maioria de seus seguidores, lhes impões sacríficos que passam longe do razoável no que diz respeito a princípios e coerência de conduta.
Ainda que essa regra valha tanto para apoiadores quanto para apoiados, a cada nova oportunidade, e de acordo com a conveniência, criam-se desculpas resumidas em frases de efeito. De tanto repeti-las um pequeno grupo de desavisados as assimila por osmose e espalha com se fosse algo inteligente e sensato, entretanto a urna não tem compaixão e pune.
Outra máxima posta por terra foi a de que o funcionalismo municipal decide a eleição. Tanto no pleito passado, em que era plenamente perceptível que a classe dos servidores estava aliada ao governo, quanto neste que estava majoritamente contra, ficou provado que para vencer nas urnas tal força não é suficiente. Não se trata de menosprezar a classe que equivalente a 5% do contingente eleitoral, mas de analisar o cenário através de uma visão holística dando a ela sua devida e real importância e talvez nesse quesito esteja o grande trunfo que fez com que a população sufragasse nas urnas a continuidade do atual governo.
Enquanto as obras terceirizadas caminham as duras as penas, as executadas pelos funcionários da própria prefeitura, por mais simples que sejam, transferem a sensação de que um benefício está sendo proporcionado a população pelos servidores, o que acaba indiretamente valorizando a classe e melhorando sua auto estima. Numa analise superficial, é possível afirmar que a reeleição não é apenas do governante, mas da máquina pública composta por servidores. É como se o eleitor dissesse que ‘o todo’ está aprovado e merece continuar.
E por fim, ficou a lição de que a aprovação se dá com pequenas obras que melhoram o dia-a-dia das pessoas. O cidadão médio tem consciência que ‘da porta pra dentro’ sua vida depende mais do governo federal, o verdadeiro responsável pela condução da economia, geração de empregos, condições mínimas para alimentação através das famosas ‘bolsas’ e expectativa de futuro. Porém, ‘da porta pra fora’, é missão do município proporcionar ruas bem pavimentadas, trânsito organizado, coleta de lixo regular, vagas, transporte e merenda escolar de qualidade.

Da ‘porta pra fora’ a população viu pequenas obras que melhoraram seu cotidiano, nada faraônico, obras simples como a pavimentação do acesso ao jardim do Bosque, a duplicação do acesso a vila São Sebastião com a criação da via expressa, recuperação da ponte da vila Romana e do Canal do Boi, calçamentos da avenida Boiadeira, região baixa da vila Rosa e do jardim Sobral e, a cereja do bolo, transformação da represa da Colombo em área de lazer. De resto, apenas manutenção com a reforma de escolas, postos de saúde e praças esportivas.
Para alguns muito simples analisar, para outros tantos, difícil entender e aceitar.

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