Taquaritinga (SP) se despede de ‘dona Tudinha’, amiga de Chico Xavier

Por: Nilton Morselli

Na sala de sua casa, Gertrudes Bernardes da Silva Martins contava diversas histórias sobre Chico Xavier. Dona Tudinha e o marido, já falecido, criaram fortes laços de amizade com o médium famoso. O filho Rivail (batizado com o sobrenome de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo) mostra os cartões-postais e as cartas que Chico, de próprio punho, escreveu para eles durante décadas. Mas também foram dezenas de encontros, desde o tempo de Pedro Leopoldo até os últimos dias em Uberaba.

Ela relatou como foi o primeiro contato. “Em 1948, meu marido, com 27 anos, estava muito doente. Um amigo sugeriu que escrevesse uma carta para o Chico. A resposta, com a receita, chegou três dias depois.” Curado, seu Aristóclides e a esposa passaram a visitar o médium. Na época, moravam em uma das propriedades da tradicional família Junqueira, perto de Ribeirão Preto.

A partir da criação do centro em Uberaba, eles começaram a auxiliar nos trabalhos. Dona Tudinha diz que, ao encher as jarras com a água que seria distribuída depois da sessão mediúnica, às vezes um forte cheiro de perfume se fazia sentir no líquido. Rivail, um de seus oito filhos, também lembra um fato que marcou sua infância: ao presenciar um passe magnético, pétalas de rosa e conchinhas do mar ainda com grãos de areia apareceram em seu colo.

Dona Tudinha guardou com carinho uma extensa carta enviada, através de Chico, pela filha Anatilde, cuja vida foi interrompida aos 32 anos em decorrência da meningite.

A ligação com o médium era tão forte que, disse ela, foi Chico quem deu o nome para uma de suas filhas: Scheilla (espírito de luz que ditou diversos livros ao médium mineiro). É impressionante a alegria que ela sentia ao falar sobre o amigo, “a pessoa mais caridosa que conheci”.

Dona Tudinha, muito querida pelos moradores de Taquaritinga (SP), partiu para a pátria espiritual na manhã desta sexta-feira (16), exatamente um mês antes de completar 98 anos. Ela recebia muita gente nessa data para celebrar sua longa existência, em que pôde praticar as bem-aventuranças. Amigos próximos informam que ela pedia que, em seu desencarne, as pessoas não levassem flores. Que transformassem esse gesto em doação de alimentos para pessoas carentes.

Seu corpo está sendo velado no velório Cristo Rei e o sepultamento acontecerá às 17h no Cemitério Municipal ‘Cônego Lourenço Cavallini’.

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