Por Marcus Rogério de Oliveira*
Queridos leitores, antes de começarmos nossa conversa desta semana, quero agradecer a todos que vêm acompanhando nossos artigos. Pessoas muito simpáticas e antenadas nos procuraram para dizer que estão lendo as edições, acompanhando os temas e esperando pelo próximo texto. Vocês sabem, para quem escreve, ter alguém do outro lado acompanhando essa conversa tem um significado muito especial.
Você que lê semanalmente nossos artigos percebe também que existe uma sequência nessa conversa. Falamos sobre inteligência artificial trabalhando conosco, sobre máquinas ganhando memória, sobre robôs chegando ao ambiente de trabalho e sobre a inteligência ganhando um corpo.
Agora, chegamos a uma nova etapa dessa história. As máquinas estão começando a aprender observando.
Durante décadas, colocar um robô para executar uma nova atividade exigia programação, configuração, testes e muitos ajustes. Era preciso dizer à máquina como movimentar cada parte, qual caminho seguir e como reagir diante de diferentes situações.
Essa forma de ensinar os robôs a executar tarefas começou a mudar.
Os novos sistemas de inteligência artificial física conseguem observar uma pessoa realizando uma tarefa, interpretar aquela sequência de movimentos e tentar reproduzi-la. Uma demonstração curta pode servir como exemplo para que a máquina entenda o que precisa fazer.
Ela vê. Interpreta. Tenta. Erra. Corrige. E tenta novamente.
Isso aproxima o aprendizado das máquinas de algo muito nosso. Pense em quando alguém aprende uma atividade olhando uma outra pessoa. Primeiro observa. Depois tenta fazer. Aos poucos, melhora.
Outro avanço importante é a capacidade de reaproveitar aquilo que já foi aprendido. Um robô que aprendeu determinados movimentos não precisa necessariamente começar do zero diante de cada situação nova. Ele pode combinar habilidades anteriores para resolver novos problemas.
Essa mudança trará oportunidades para nós no mundo do software.
Assim como os smartphones criaram um mercado gigantesco de aplicativos, os robôs inteligentes irão criar uma nova indústria de aplicações.
Aprender observando será apenas uma parte dessa inteligência. Ao redor desses robôs surgirá toda uma nova indústria de software para ampliar suas capacidades, especializá-los, monitorar seu trabalho, garantir segurança, analisar resultados, realizar ajustes, acompanhar desempenho, integrar máquinas a outros sistemas e adaptar seu funcionamento às necessidades de cada empresa ou atividade.
É aí que teremos uma enorme oportunidade. Iremos desenvolver aplicações para a agricultura, indústria, logística e serviços, criando soluções a partir de problemas que conhecemos muito bem em nossa região. O robô poderá ser produzido do outro lado do mundo, mas parte importante do software que dará inteligência específica, segurança e utilidade ao seu trabalho nascerá aqui.
Temos aqui a Fatec, a Etec, jovens muito talentosos, profissionais de tecnologia e empreendedores. Esse encontro entre conhecimento regional e desenvolvimento de software irá nos colocar em um mercado mundial.
Nosso DNA regional é uma vantagem competitiva. Conhecemos soluções de problemas que muita gente no mundo da tecnologia não conhece. E agora iremos transformar esse conhecimento em software.
A próxima grande indústria de aplicativos está apenas começando. E ela vai conectar os talentos do nosso interior com a tecnologia espalhada pelo mundo.
(Imagem gerada por IA)
*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.












