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Quem ama não mata. Nem se mata

Quem foi embora de sua vida lhe fez um favor. Não há nenhum sentido de provocação nessa frase, apenas a constatação de que cada um é responsável pela própria felicidade e, de quebra, pode ajudar ao outro também ser feliz, livre de um relacionamento que não está sendo tão bom quanto poderia. E vida que segue.

É muito triste ver jovens cometendo suicídio quando da ruptura de um namoro. Talvez essa seja apenas a tal gota d’água, se investigar mais a fundo outros problemas também fizeram parte desse caldo de melancolia que descambou para a decisão tão errada, sob todos os pontos de vista.

Um suicídio abala demais a família, que quase sempre carrega uma culpa que raramente tem. Culpa por ter, de alguma forma, colaborado para o triste desenlace. Culpa por não ter percebido que aquele ser sem experiência de vida enfrentava um conflito emocional. O “ex” ou a “ex”, que teria sido o pivô da crise, também acaba por carregar o peso.

O amor – ou a sua antítese – não é motivo para matar ou morrer. Quem o faz está mais amparado no orgulho ferido do que na tristeza natural que se segue ao rompimento de um namoro ou casamento. Não permitir que o outro sobreviva para ser feliz sozinho ou ao lado de alguém é egoísmo.

O escapismo capital, por sua vez, é um recurso controverso. Quem se mata não quer fugir da vida, mas do suposto problema. Espíritos que cometeram o ato tresloucado e que puderam se comunicar do mais além manifestaram profundo arrependimento. Ao homem não é permitido decidir sobre a continuidade da vida – de outrem ou de si mesmo. (A quem não acredita na possibilidade dessa comunicação, a amizade é a mesma.)

O término de uma relação, seja na juventude ou qualquer outra idade, é apenas um sinal de que novas possibilidades virão. Não é o fim da linha. Forçar a permanência com uma pessoa que está infeliz, isso sim, é um flagelo – para as duas. É necessário reconhecer que encerrar ciclos e até mesmo romper laços também é um ato de amor.

O ser humano é extremamente passional. Desde Freud, sabemos que quase todas as decisões da vida estão ligadas, de alguma forma, ao relacionamento amoroso. Mas temos o dever de – o mais racionalmente possível – colocar a vida acima das paixões ou de qualquer arroubo que implique seu fim. E vida que segue.