Por Marcus Rogério de Oliveira*
Queridos leitores, é sempre uma alegria reencontrá-los nesta nossa conversa semanal e perceber como a inteligência artificial deixou de ser apenas um assunto dos grandes centros e se tornou tema de interesse real nas nossas empresas, escolas e nas conversas do dia a dia. Na semana passada falamos sobre agentes de IA e novamente esse assunto voltou a ocupar os noticiários com novas polêmicas e também, oportunidades.
Para você, querido leitor, vale uma explicação simples. Um modelo tradicional de inteligência artificial gera texto, imagem, áudio, etc, a partir de instruções recebidas, os prompts. Já um agente de IA vai além, ele planeja tarefas, usa ferramentas computacionais, consulta arquivos, aciona outros programas e executa ações com autonomia. Em vez de apenas explicar como algo deve ser feito, ele próprio realiza. É por isso que tantos especialistas passaram a tratar esse momento como mais uma transformação disruptiva de nossa época.
A NVIDIA, durante a GTC 2026, reforçou exatamente essa visão. A empresa apresentou sua estratégia para uma infraestrutura voltada a agentes escaláveis, com ênfase em segurança, privacidade e suporte a múltiplos modelos. Em outras palavras, já não se trata apenas de ter um modelo inteligente, mas de construir um ambiente inteiro para que agentes possam atuar de forma autônoma dentro das organizações.
Na China, a corrida também acelerou. A Alibaba lançou a plataforma Wukong, voltada à automação empresarial com múltiplos agentes cooperando em tarefas como documentos, planilhas, reuniões e pesquisa. O movimento mostra que o mercado global já não vê os agentes como uma curiosidade tecnológica, mas como peça importante da nova produtividade.
Aqui entra uma parte importante desta reflexão. Um estudo recente sobre agentes com acesso a e-mail, arquivos, terminal de comandos e canais de comunicação mostrou que sistemas autônomos podem falhar de maneira silenciosa, persistente e difícil de perceber quando recebem autonomia excessiva. Veja um exemplo do que ocorreu nesta semana: um agente interno da Meta, empresa responsável por plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp, publicou um conteúdo sigiloso sem a permissão de nenhum humano e expôs dados sensíveis a pessoas não autorizadas.
Na área de defesa, pesquisadores também vêm alertando para um grande desafio que está relacionado à autonomia dos agentes. Um trabalho recente está propondo métricas para acompanhar quando o controle humano sobre os agentes começa a enfraquecer. Ou seja, não basta criar sistemas autônomos; será cada vez mais necessário criar sistemas governáveis, auditáveis e interrompíveis.
Isso não deve ser lido com medo nem com alarmismo. Se o mundo está precisando de agentes confiáveis, então haverá espaço e oportunidades para quem souber criar governança, segurança e auditoria para as decisões autônomas dos agentes. Haverá espaço para empresas que integrem agentes a ERPs, CRMs, documentos, sensores, câmeras, manutenção industrial, atendimento ao cidadão e rotinas administrativas. Haverá espaço para cursos, consultorias, laboratórios de validação e novos serviços especializados.
Nossa região não está assistindo a essa transformação de longe. Já estamos formando talentos para esse novo ciclo. Estamos preparando jovens, professores, empreendedores e gestores para dominar não apenas o uso da IA, mas também sua arquitetura, sua supervisão e o aproveitamento de seu valor econômico. Onde muitos veem risco, nós vemos soluções e oportunidades de negócio.
Essa nova era dos agentes é realidade. Não seremos apenas usuários dessa tecnologia. Seremos referência, aproveitando as oportunidades com inteligência e visão de futuro.
*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.
(Imagem gerada por IA)













