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Por Marcus Rogério de Oliveira*

Queridos leitores, há poucas semanas aconteceu um episódio que merece nossa atenção. Durante um teste interno de cibersegurança da OpenAI, agentes de inteligência artificial receberam a tarefa de resolver problemas complexos dentro de um ambiente controlado, uma espécie de área isolada da internet criada justamente para esse tipo de experimento.

Os agentes precisavam encontrar a solução. E encontraram um caminho que ninguém havia previsto.

Durante o teste, os modelos identificaram uma vulnerabilidade até então desconhecida no sistema que controlava o acesso aos pacotes de software. Exploraram essa falha, aumentaram seus privilégios dentro do ambiente, movimentaram-se entre sistemas até alcançar uma máquina conectada à internet e, finalmente, chegaram à infraestrutura do Hugging Face, uma das maiores plataformas de inteligência artificial do mundo.

O objetivo era bastante específico: encontrar informações que ajudassem a resolver o próprio teste. É justamente esse detalhe que considero mais interessante.

O agente recebeu um objetivo e começou a procurar maneiras de alcançá-lo. Pesquisou, testou alternativas, encontrou falhas, utilizou ferramentas disponíveis e executou uma sequência de ações sem que uma pessoa determinasse cada passo.

Estamos começando a compreender, de forma muito concreta, o significado da chamada IA agêntica sobre a qual temos conversado em nossos últimos artigos.

Até pouco tempo, nossa relação com a inteligência artificial era basicamente perguntar e receber uma resposta. Agora começamos a entregar objetivos. E isso muda muita coisa.

A própria internet começa a sentir essa transformação. Máquinas já produzem uma parte enorme das requisições realizadas na web. Dados da Cloudflare mostram que o tráfego automatizado chega a superar o tráfego humano em diferentes períodos e tipos de conteúdo.

Em junho de 2026, por exemplo, 52% das requisições feitas por crawlers identificados pela empresa estavam relacionadas ao treinamento de IA e mais de 36% já misturavam busca, treinamento e utilização por agentes.

A tendência é que isso aumente muito.

A internet que construímos para pessoas está começando também a ser utilizada por máquinas que pesquisam, comparam preços, consultam bancos de dados, contratam serviços, executam tarefas e conversam com outros sistemas. A Cloudflare trabalha inclusive com cenários em que o tráfego não humano poderá crescer muitas vezes em relação ao tráfego humano nos próximos anos.

E aqui começam as oportunidades.

Empresas precisarão preparar seus sistemas para receber agentes. Sites terão que oferecer informações que possam ser compreendidas por pessoas e também por máquinas. Surgirão serviços especializados em conectar agentes aos sistemas das empresas, organizar dados, controlar permissões, acompanhar decisões e garantir segurança.

No agronegócio, agentes poderão acompanhar lavouras, máquinas, sensores e mercados. Na indústria, produção, manutenção e qualidade. No comércio, estoques, fornecedores e clientes.

Taquaritinga reúne agricultura, indústria, comércio, empresas de tecnologia e a Fatec. Temos, portanto, um ambiente extraordinário para experimentar essas aplicações. Estamos assistindo ao nascimento de uma nova internet. E, desta vez, podemos ajudar a construí-la daqui.

 

*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.

(Imagem gerada por IA)

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