Por Marcus Rogério de Oliveira*
Quem nos acompanha semanalmente sabe que esta coluna já deixou de ser apenas um espaço para explicar conceitos básicos sobre Inteligência Artificial e outras tecnologias disruptivas. Ao longo dos últimos meses, falamos de automação, computação quântica, robôs e de como tudo isso está transformando o mundo, inclusive o nosso. E o mais interessante é ver como muitos leitores enviam suas reflexões, dúvidas e ideias. O público deixou de ser leigo. Hoje, temos uma comunidade que pensa, questiona e quer entender como essas tecnologias podem gerar impacto real aqui, em Taquaritinga.
Por isso, vamos direto ao ponto. As novidades mais importantes da semana não são mais sobre “o que é IA”, mas sim sobre como a IA está ganhando corpo, literalmente, com a chamada “Embodied AI”. Quem já acompanha nossos debates sabe que essa é a integração da inteligência artificial com robôs capazes de agir no mundo físico; e essa tendência deu um salto enorme nos últimos dias.
O mercado global de robôs com IA, avaliado em cerca de 6,1 bilhões de dólares neste ano, deve saltar para 33,4 bilhões até 2030. Não é uma projeção otimista, é a corrida industrial. E essa expansão está acontecendo porque os robôs finalmente começaram a fazer o que faltava, que é adaptar-se ao ambiente. Deixam de ser máquinas rígidas para se tornarem agentes inteligentes capazes de perceber, ajustar e executar tarefas em cenários reais, cheios de variações e imprevisibilidades. Algo que, até pouco tempo atrás, era visto como uma fronteira tecnológica quase intransponível.
E os investimentos recentes reforçam isso. A startup Physical Intelligence recebeu 600 milhões de dólares, atingindo o valor de mercado de 5,6 bilhões. Já a Apptronik, focada em robôs humanoides para uso industrial, alcançou os 5 bilhões. Quando vemos empresas de robótica atingirem valuations em dólares maiores do que muitas empresas tradicionais, fica evidente que estamos diante de uma mudança profunda, comparável ao surgimento dos computadores pessoais nos anos 80.
Mas o que isso tem a ver com Taquaritinga, com nossos leitores e com a realidade local? Tudo, claro! Nossa região vive da força da agricultura, da indústria, do comércio, dos serviços e de um ecossistema de empresas que precisam ser cada vez mais eficientes, produtivas e competitivas. A chegada desses robôs inteligentes não é um fenômeno distante, é uma oportunidade concreta para inovarmos aqui mesmo. Vários leitores têm nos perguntado: “e nós, o que podemos fazer com isso?” A resposta é: muito mais do que imaginamos. Pense em aplicações que já fazem sentido hoje para nossas empresas e instituições: robôs que percorrem talhões coletando dados de solo com sensores automatizados; robôs industriais ajustando equipamentos, aferindo parâmetros e fazendo inspeções com visão computacional; drones autônomos monitorando áreas industriais, detectando falhas e prevenindo acidentes; sistemas híbridos de IA e robótica ajudando na logística, no armazenamento e na organização de estoques.
O primeiro impacto deve ser na formação profissional. Nossos jovens podem se tornar parte de uma geração que domina essa nova fronteira tecnológica. Estamos recebendo mensagens de estudantes interessados, empresários curiosos, produtores rurais atentos e cidadãos querendo entender como trazer essas oportunidades para dentro de suas realidades.
Essa é a verdadeira transformação. Uma população que deixa de assistir a revolução e passa a querer participar dela. O caminho agora não é mais explicar “o que é IA”, mas sim mostrar como Taquaritinga pode se posicionar para captar investimentos, desenvolver projetos, preparar profissionais e atrair novas tecnologias.
E se há algo que esta coluna mostrou ao longo das últimas edições, é que nossa comunidade tem maturidade, interesse e disposição para pensar grande. Continuaremos provocando esses debates, ouvindo nossos leitores e trazendo as tendências mais importantes. Porque o futuro está chegando rápido e quem se prepara primeiro, cresce primeiro.
*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.
(Imagem gerada por IA)













