Por Marcus Rogério de Oliveira*
Você que nos acompanha semanalmente tem construído uma compreensão cada vez mais precisa, não apenas sobre como as ferramentas funcionam, mas também sobre a singularidade do momento histórico que atravessamos. Estamos vendo lançamentos atrás de lançamentos, em um ritmo que revela algo maior e nós já percebemos isso. O que está acontecendo diante dos nossos olhos não é apenas uma disputa comercial por fatias de mercado, mas uma corrida pela fronteira da evolução e do conhecimento. Tenho recebido comentários de leitores surpresos com a velocidade das notícias recentes. E todos têm razão em se espantar. O que vivemos nas últimas semanas não foi apenas uma atualização tecnológica, foi uma corrida pela inovação e pela descoberta.
Em um intervalo muito curto de tempo, presenciamos o lançamento do Gemini 3 e a chegada do novo GPT 5.2. Outra importante movimentação também foi a ascensão do DeepSeek e as atualizações do Qwen. Esses modelos trazem um diferencial muito interessante: são opções de “pesos abertos”. Embora popularmente chamados de open source, o termo técnico é importante. Significa que, embora o segredo de “como foram feitos” ainda pertença às empresas, o resultado final está disponível para baixarmos. Não precisamos alugá-los na nuvem; podemos trazê-los para rodar em nossos próprios computadores que tenham GPU.
Mas vamos trazer essa conversa para a nossa realidade com os pés no chão. O que isso significa para nós, aqui em Taquaritinga? Imagine o empresário que deseja garantir total sigilo dos dados. Com a diversidade de modelos abertos, surge a possibilidade de rodar a inteligência artificial dentro da própria empresa. Porém, é preciso ser realista. Essa liberdade exige hardware adequado. Não estamos falando de rodar esses sistemas em qualquer computador de escritório. Para ter essa independência local é necessário ter máquinas com placas de vídeo adequadas (GPUs) e memória suficiente.
Essa grande quantidade de opções nos permite imaginar aplicações práticas, desde que tenhamos a infraestrutura correta. Por exemplo, com o equipamento certo, um produtor rural da nossa região pode utilizar um modelo leve, chamado de quantizado, instalado em um celular, para identificar uma praga na lavoura sem depender de internet, processando tudo ali mesmo, na borda do talhão.
A grande notícia dessa quase loucura de lançamentos não é quem chegou em primeiro lugar, mas o fato de que agora temos liberdade de escolha. Vemos advogados usando modelos específicos para análise de contratos; designers criando variações de embalagens; e programadores construindo soluções usando a base desses modelos. O poder saiu das mãos das grandes empresas de tecnologia e está vindo para as nossas mãos, exigindo de nós apenas o preparo técnico para manuseá-lo.
Nosso momento atual precisa curiosidade, aprendizado e imaginação, não ansiedade. A tecnologia evoluiu e o mais importante continua sendo a interação humana. Minha sugestão prática para esta semana é um convite à experimentação: se você tem curiosidade e equipamento, explore essas ferramentas locais; se não, teste as novas versões gratuitas online que citamos. O importante é resolver um problema real do seu dia a dia. Vamos testar, comparar e descobrir, juntos, qual delas serve melhor aos nossos propósitos. Importante lembrar que a melhor tecnologia é aquela que funciona para nós.
Ainda nestas semanas que faltam para terminar o ano, já deixo o convite para a nossa próxima conversa. Na semana que vem, faremos a retrospectiva de 2025 e abordaremos a próxima grande fronteira: a AGI, a tão falada Inteligência Artificial Geral. Essa é uma nova corrida que também está se aquecendo, com pesquisadores bastante relevantes como Ilya Sutskever, Yann LeCun e Demis Hassabis trazendo novos postulados. O que vemos é um movimento que começa a se distanciar dos modelos puramente generativos como o GPT para produzir novos tipos de modelos, ainda em seus estágios iniciais, mas que prometem redefinir a tecnologia. É o futuro sendo desenhado agora, na nossa frente e vamos entendê-lo juntos. Até semana que vem!
*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.
(Imagem gerada por IA)










