Por Marcus Rogério de Oliveira*
Queridos leitores, é sempre muito bom reencontrá-los nesta nossa conversa semanal. A inteligência artificial voltou ao centro das grandes polêmicas mundiais. Nos últimos dias, notícias sobre demissões em grandes empresas de tecnologia reacenderam uma pergunta importante: a IA está tirando empregos ou está apenas mudando a maneira como o trabalho será organizado daqui para frente?
A resposta mais honesta talvez seja a mais difícil de aceitar. As duas coisas estão acontecendo. Grandes empresas estão reorganizando equipes, cortando cargos e direcionando bilhões para sistemas de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, novas funções estão surgindo, novas empresas estão sendo criadas e novos mercados começam a se formar. O problema, portanto, não está somente na tecnologia. Está na velocidade com que ela avança e na lentidão com que muitas pessoas, empresas e regiões conseguem se adaptar.
Essa discussão não pode ficar distante de nós. Taquaritinga e nossa região não estão fora desse movimento. Temos comércio, agroindústria, usinas, prestadores de serviço, escritórios, escolas, faculdades, empresas familiares, profissionais liberais e jovens buscando espaço no mercado. Todos serão impactados. Alguns tentarão resistir. Outros vão esperar que a mudança passe. Mas a história mostra que ondas tecnológicas não pedem autorização para acontecer. Elas chegam, transformam e reposicionam quem soube se preparar.
É compreensível que exista medo. Quando uma nova tecnologia ameaça modelos antigos de trabalho, a primeira reação costuma ser a defesa. Mas defender o passado não pode significar impedir o futuro. A região precisa olhar para a inteligência artificial como oportunidade concreta de desenvolvimento. Se uma empresa pode automatizar parte de seus processos, também pode criar novos serviços. Se uma atividade repetitiva deixa de fazer sentido, outra pode nascer com mais valor, mais criatividade e mais mercado. Se uma profissão muda, a formação profissional precisa mudar junto.
O grande erro seria tratar a IA como inimiga. O inimigo verdadeiro é a falta de atualização. É continuar formando pessoas para um mercado que já está deixando de existir. É manter empresas presas a rotinas antigas enquanto concorrentes de outras cidades, estados e países usam tecnologia para vender mais, produzir melhor, atender mais rápido e tomar decisões com mais qualidade.
Nossa região tem uma escolha importante a fazer. Podemos reclamar da mudança ou podemos liderar a mudança. Podemos proteger modelos esgotados ou criar novos negócios baseados em dados, automação, agentes inteligentes, atendimento digital, análise de mercado, agricultura de precisão, gestão industrial e serviços especializados com IA. O futuro não será apenas das grandes empresas de tecnologia. Será também das pequenas e médias empresas que aprenderem a usar essas ferramentas antes dos concorrentes.
É hora de transformar a inquietação em estratégia. As empresas precisam experimentar. Os profissionais precisam se atualizar. As lideranças precisam criar ambientes de inovação. As cidades precisam entender que desenvolvimento econômico, daqui para frente, também dependerá da capacidade de dominar tecnologia.
A inteligência artificial deve ser vista como ferramenta que podemos colocar a serviço da nossa própria região. O emprego como conhecemos está mudando, mas o trabalho e o valor humano continuam essenciais. A diferença é que, agora, ele precisará ser mais criativo e totalmente conectado à tecnologia.
(Imagem gerada por IA)
*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.













