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Por Marcus Rogério de Oliveira*

Queridos leitores, quem vem acompanhando nossos artigos percebe que estamos seguindo um mesmo tema, semana após semana. Em “O Mundo em Software”, conversamos sobre uma realidade em que praticamente tudo passaria a depender cada vez mais de software. Em “Tudo ao Mesmo Tempo Agora”, vimos inteligência artificial, robótica, biotecnologia, novos materiais e outras tecnologias avançando juntas e se fortalecendo mutuamente. Mais recentemente, em “A Máquina se Lembra”, mostramos como agentes de IA começam a trabalhar conosco utilizando memória, ferramentas e capacidade de executar tarefas.

Agora, essa história avança para o mundo físico.

A robótica está vivendo aquilo que vem sendo chamado de “Momento ChatGPT da Robótica”.

A comparação ajuda a entender o que está acontecendo. Assim como o ChatGPT colocou os grandes modelos de linguagem diante de milhões de pessoas, os robôs começam a deixar os laboratórios e demonstrações controladas para assumir atividades reais em fábricas, centros logísticos e outros ambientes de trabalho.

É a chamada IA Física, ou Embodied AI: inteligência artificial capaz de perceber o ambiente, interpretar uma situação, tomar decisões e agir fisicamente sobre ela.

A evolução impressiona. A Humanoid desenvolveu o KinetIQ Ascend. Esse sistema utiliza aprendizado por reforço para permitir que robôs aperfeiçoem tarefas diretamente no ambiente de trabalho. Em testes de manipulação utilizando as duas mãos, a empresa apresentou taxas próximas de 99% de sucesso, acompanhadas de aumento significativo de produtividade.

A própria construção dos robôs também está mudando. A Clone Robotics desenvolve estruturas inspiradas no corpo humano, utilizando músculos artificiais, tendões e sistemas hidráulicos para produzir movimentos mais naturais e ampliar a capacidade de manipulação.

Enquanto isso, o mercado começa a transformar esses avanços em escala industrial. A chinesa Unitree avançou em sua abertura de capital em uma operação bilionária, mostrando que a robótica humanoide começa a atrair investimentos voltados não apenas para pesquisa, mas para produção, comercialização e utilização efetiva dessas máquinas.

Para nós, esse movimento merece atenção especial. Nossa região tem agricultura, indústria, comércio, logística e serviços que podem utilizar robôs em inspeção, manutenção, movimentação de materiais, operações repetitivas e atividades realizadas em ambientes de risco.

E existe uma oportunidade ainda maior ao redor dessas máquinas. Elas precisarão de software, inteligência artificial, visão computacional, sensores, integração de sistemas, dados, manutenção e profissionais preparados para desenvolver novas aplicações.

É exatamente por isso que precisamos acompanhar essa transformação de perto nas empresas, nas instituições de ensino de tecnologia como a Fatec de Taquaritinga.

Como temos conversado há várias semanas, tecnologias que pareciam distantes estão se aproximando rapidamente do nosso cotidiano. Nossa oportunidade é aprender, experimentar, formar pessoas e criar aplicações para que nossa região também participe desse novo mercado que começa a surgir.

 

*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.

(Imagem gerada por IA)

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