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Por Marcus Rogério de Oliveira*

Queridos leitores, seguimos nossa série sobre tecnologias que estão mudando o mundo, mas sempre com o olhar voltado para aquilo que realmente importa para nós: como essas mudanças chegam à nossa cidade, às nossas empresas, aos nossos jovens, aos nossos empregos e às oportunidades que podemos construir aqui mesmo, em Taquaritinga e região.

A inteligência artificial acaba de dar mais um salto importante. Em maio de 2026, novos modelos e novas estratégias mostraram que já estamos em uma fase diferente. O Grok 4.3, da xAI, o GPT-5.5 Instant, da OpenAI, e os avanços da Anthropic com o Claude mostram que a IA deixou de ser uma ferramenta focada em respostas para se tornar um tipo de colaboradora digital. Não é mais apenas perguntar e receber uma resposta. Agora, utilizamos agentes autônomos para planejar, executar, revisar, corrigir e aprender com o próprio trabalho.

Já faz algum tempo que estamos tratando a IA como um sistema de respostas inteligentes, um mecanismo de busca mais baseado em conversação ou até um assistente para escrever textos. Isso já era impressionante, não era? Mas agora o movimento é outro. A IA passou a assumir fluxos de trabalho. Ela organiza informações, compara dados, prepara relatórios, acompanha processos, testa soluções, cria sistemas e ajuda equipes inteiras a trabalhar com mais velocidade.

Um dos conceitos que melhor simboliza esse momento é o chamado vibe coding. O nome pode parecer estranho, mas a ideia é simples. Em vez de escrever um programa linha por linha, como sempre fizemos na computação, a pessoa descreve o que deseja que o sistema faça. Explica a intenção, a lógica, o comportamento esperado e o resultado final. A IA transforma essa descrição em código, protótipo, aplicativo ou automação. Isso não elimina o conhecimento técnico. Ao contrário, hiper valoriza quem já pensa como um engenheiro de software, que organiza requisitos, problemas e avalia se o resultado faz sentido.

Nas empresas, o impacto já está sendo profundo. Pequenos escritórios estão automatizando a geração de documentos, cobranças, relatórios e atendimentos. Comércios estão criando respostas personalizadas para clientes, controlando estoques e analisando vendas de forma mais organizada e estratégica. Indústrias estão aprimorando rotinas administrativas, manutenção, compras e controle de qualidade. Produtores rurais estão acompanhando clima, custos, logística, produtividade e preços com apoio de agentes digitais. O que antes estava distante ou era caro começa a ficar acessível.

Na empregabilidade, precisamos fugir dos extremos. Não é correto dizer que nada vai mudar. Também não é prudente afirmar que tudo vai desaparecer. O mais provável é que muitas tarefas repetitivas percam espaço, enquanto novas funções ganhem força. Estão surgindo profissionais capazes de orientar agentes, criar automações, revisar resultados, integrar sistemas e transformar problemas reais em soluções práticas. Quem apenas repete procedimentos terá que rever como exerce sua função. Quem aprende a comandar a tecnologia se torna mais necessário.

E aqui entra Taquaritinga. Nossa cidade tem agricultura, indústria, comércio, serviços, educação tecnológica e gente capaz de aprender rápido. Temos empresas que buscam melhorar processos. Temos jovens que já enxergam as novas profissões. Temos empreendedores atentos à criação de soluções para problemas locais. Temos instituições que formam pessoas para essa nova etapa. A oportunidade não está apenas no Vale do Silício, em São Paulo ou nas grandes capitais. Ela também nasce aqui, em uma sala de aula, em uma pequena empresa, em uma propriedade rural ou em um grupo de empreendedores conectados.

Querido leitor, como você enxerga o risco? Muitos já pensam que quem não se capacitar ficará para trás. Eu penso que o risco maior é assistir à mudança parado, como se ela fosse um assunto distante. A IA não vai esperar nossa região decidir se está pronta. Ela já chegou. A pergunta agora é essa: como vamos criá-las e gerar negócios aqui?

Taquaritinga sempre foi protagonista e atenta a novas oportunidades. Isso é histórico. E, quando uma nova onda começa, quem entende primeiro, aprende primeiro e age primeiro, lidera. Assim somos nós.

(Imagem gerada por IA)

 

*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.

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