Por Marcus Rogério de Oliveira*
Há algo de especial em escrever sabendo que, do outro lado, existem pessoas dispostas a compartilhar ideias e enxergar novos caminhos. A vocês, queridos leitores, meu carinho e minha gratidão. Em “O Expediente da IA”, na semana passada, falamos de sistemas inteligentes que já executam tarefas, utilizam programas e participam da rotina das empresas. Hoje, nosso olhar sai dos escritórios e encontra uma máquina que, literalmente, saiu do chão.
Em 15 de outubro, a Tesla apresentou um protótipo do Roadster que deixou o solo, realizou manobras no ar e pousou sobre suas rodas. Utilizou propulsores de gás comprimido, tecnologia aeroespacial e sistemas avançados de controle. Um feito impressionante de engenharia que revela o encontro de conhecimentos antes desenvolvidos em áreas diferentes.
O que mais me interessa, entretanto, não é o automóvel voando. É perceber como essa convergência tecnológica amplia as possibilidades de criar máquinas cada vez mais capazes de interagir com o mundo.
Com a inteligência artificial, esse encontro ganha outra dimensão.
Durante anos, ensinamos máquinas a reconhecer imagens, interpretar textos, identificar padrões e produzir respostas. Agora, essas habilidades se integram à percepção do ambiente, ao movimento e à execução de ações físicas. É o campo da Physical AI, a inteligência artificial física.
Reconhecer um obstáculo numa imagem é diferente de identificá-lo durante o deslocamento, prever riscos, decidir como agir e executar a decisão com segurança. Fora das telas, as escolhas encontram a gravidade, o atrito, a velocidade e consequências que não desaparecem com um comando de desfazer.
Por isso, autonomia exige a colaboração entre sensores, modelos matemáticos, algoritmos de controle e inteligência artificial. Não basta agir. É preciso verificar, corrigir e respeitar limites.
Nas lavouras, máquinas identificam anomalias e realizam intervenções localizadas. Nas indústrias, sistemas acompanham equipamentos, antecipam falhas e ajustam processos. Na logística, robôs reconhecem espaços, movimentam materiais e se adaptam às mudanças do ambiente.
Essa trajetória tem uma conexão direta com Taquaritinga e nossa região. Na Fatec Taquaritinga, os cursos superiores de tecnologia e o novo curso de Engenharia de Produção formam talentos para os desafios da agricultura, da indústria e dos serviços. Nos projetos práticos da faculdade, estudantes e professores aproximam inteligência artificial, sensores e automação das necessidades reais de empresas e produtores. Assim, o conhecimento dos laboratórios encontra aplicação no cotidiano e contribui para o desenvolvimento regional.
O Roadster permaneceu no ar por instantes. Mais duradouro será o trabalho de quem souber reunir conhecimentos e transformar essa integração em soluções concretas.
Taquaritinga tem uma oportunidade extraordinária diante de si. Não precisamos dos laboratórios mais sofisticados do mundo para participar dessa transformação. Temos algo essencial: pessoas. Temos inteligência, criatividade, professores, estudantes e talentos capazes de transformar conhecimento em soluções. Nossa maior riqueza está justamente nessa capacidade humana. É com ela que construiremos o futuro da nossa região.
(Imagem gerada por IA)
*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.












