Por Marcus Rogério de Oliveira*
Continuando nossa série sobre tecnologias disruptivas, sua relação com nossa comunidade e as oportunidades, começamos agradecendo aos leitores que, semana após semana, têm participado com opiniões, comentários e reflexões. Esse engajamento crescente mostra como nossa comunidade está mais próxima do universo da inovação e da tecnologia, com curiosidade verdadeira e vontade de entender as mudanças que estão redefinindo o nosso mundo.
Nos últimos dias, o cenário global foi marcado por vários anúncios de desenvolvimentos e investimentos que mostram a velocidade impressionante do avanço da inteligência artificial, da robótica e da computação de alto desempenho. Esse movimento das grandes empresas e governos confirma o que estamos falando há algum tempo sobre o século XXI ser moldado pela capacidade de integrar ciência, tecnologia e propósito.
Um dos destaques da semana foi a parceria entre a OpenAI e a Broadcom para o desenvolvimento de chips próprios voltados à IA. Essa iniciativa está marcando uma nova etapa de independência tecnológica e parece apontar para um futuro em que cada grande empresa buscará dominar também a camada física do processamento inteligente, ou seja, o hardware.
Projetos como o Stargate – aquele complexo de data centers avaliado em 500 bilhões de dólares que já havíamos comentado anteriormente – e o investimento de 40 bilhões feito pela BlackRock e Nvidia mostram essa tendência global. O poder computacional tornou-se o novo motor da economia digital. Ao mesmo tempo, o evento OODAcon 2025 nos trouxe o debate sobre a computação quântica e o conceito de “vantagem quântica”, que explora as aplicações em segurança, saúde e logística. Lembra-se quando falamos sobre computação quântica em edições anteriores?
A robótica também ganhou novos capítulos. A startup americana Figure apresentou o robô humanoide Figure 03, criado para utilização em tarefas domésticas. Na China, o Unitree R1 foi reconhecido pela revista TIME como uma das invenções do ano. Em outras áreas, a combinação entre IA e visão computacional está sendo usada até em laboratórios de fertilização in vitro, selecionando células reprodutivas com uma eficiência inédita e abrindo novos caminhos na medicina reprodutiva.
Enquanto isso, a IA generativa, aquela do ChatGPT e Gemini, continua a provocar grandes mudanças no mercado de trabalho. Por exemplo, na Índia, chatbots baseados em grandes modelos de linguagem vêm substituindo atendentes de call centers. Na área da saúde, algoritmos analisam exames com grande precisão, auxiliando nos diagnósticos e impulsionando pesquisas em oncologia e cardiologia. São avanços que melhoram a vida humana.
Também tivemos essa semana um debate bastante interessante envolvendo o tema dos “robôs autônomos de combate” ou “robôs assassinos”. Esse assunto gerou discussões intensas na comunidade internacional, preocupada com o risco das possíveis decisões letais tomadas por sistemas automatizados criados para guerra.
Paralelamente, também cresce a pressão por políticas de privacidade e uso responsável da IA. No Brasil, o governo federal lançou, em 17 de outubro, um guia para o uso ético da inteligência artificial no setor público, reforçando princípios de transparência, segurança e direitos humanos.
Um movimento relevante no Brasil nessa semana foi o lançamento do “Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA)”, apresentado pela Finep. Com previsão de 23 bilhões de reais em investimentos, o plano tem intenção de ampliar o uso responsável da IA em setores como saúde, educação e agricultura. É uma demonstração de que o Governo brasileiro está preocupado com a importância da tecnologia como instrumento de inclusão e desenvolvimento.
E enquanto o país começa a estruturar essa estratégia em escala nacional, aqui em Taquaritinga nós já trilhamos esse caminho há algum tempo – pesquisando, criando e desenvolvendo soluções próprias que unem ciência, criatividade e impacto real. Nossos projetos mostram que a inovação pode realmente nascer aqui, porque temos talentos e propósito.
Por exemplo, a Fatec Taquaritinga, por meio de seu Núcleo de Aplicações em Inteligência Artificial, vem desenvolvendo projetos que aplicam inteligência artificial na agricultura, na indústria e na educação. Essas iniciativas mostram que o interior paulista também é terreno fértil para o avanço tecnológico. Da detecção de pragas na agricultura à manutenção preditiva de equipamentos industriais, estamos construindo soluções que unem ciência, propósito e aplicação real.
Taquaritinga tem talento, criatividade e instituições comprometidas com a tecnologia. A aplicação de esforços em educação e ciência está consolidando nossa cidade como um polo de inovação, trazendo oportunidades e desenvolvimento para toda a região. O futuro tecnológico do Brasil passa, sem dúvidas, por aqui, onde o conhecimento se transforma em ação e a inovação é feita por pessoas que amam nossa cidade.
*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.
(Imagem gerada por IA)













