Santa-casa banner
Shadow

Por Marcus Rogério de Oliveira*

Queridos leitores, é uma alegria reencontrá-los neste espaço em que compartilhamos conhecimento, experiências e reflexões sobre a tecnologia e suas oportunidades. A cada semana, procuramos compreender não apenas o que está acontecendo, mas, principalmente, o que esses acontecimentos representam para nosso futuro.

Recentemente, conversamos sobre agentes de inteligência artificial capazes de utilizar computadores, navegar pela internet e executar atividades profissionais. Naquela oportunidade, destacamos a passagem da inteligência artificial que responde para aquela que efetivamente realiza o trabalho. Agora, um novo acontecimento amplia essa transformação.

No dia 29 de setembro, durante o DevDay 2026, a OpenAI apresentou os Dots, agentes de inteligência artificial projetados para trabalhar continuamente, mesmo quando seus usuários estão desconectados. A novidade estabelece uma diferença fundamental: o trabalho digital deixa de depender da presença permanente de alguém para iniciá-lo e acompanhá-lo.

Esses agentes utilizam o GPT-6 Astra, possuem ambientes computacionais próprios na nuvem e podem acessar aplicativos, documentos e sistemas autorizados. Tecnicamente, combinam modelos de linguagem, memória contextual, ferramentas de execução e mecanismos de acompanhamento de tarefas. Recebem objetivos, planejam atividades, consultam informações e executam ações dentro dos limites estabelecidos pelo usuário.

O aspecto mais interessante, entretanto, está na continuidade. Um agente pode acompanhar um processo durante dias, identificar acontecimentos relevantes, atualizar informações e solicitar nossa intervenção somente quando necessário. Naturalmente, essa utilização exige supervisão, segurança e critérios claros para decisões que envolvam riscos.

Estamos passando da automação de tarefas para a continuidade inteligente dos processos.

Essa distinção terá consequências importantes. Durante décadas, desenvolvemos sistemas para auxiliar pessoas durante seus expedientes. Agora, começamos a construir organizações nas quais parte das atividades digitais permanece em funcionamento independentemente dos horários humanos.

Em nossa região, essas aplicações encontram um ambiente particularmente favorável. Usinas poderão acompanhar indicadores industriais, antecipar necessidades de manutenção e consolidar informações operacionais. Produtores rurais poderão integrar dados climáticos, sensores e registros agrícolas. Empresas comerciais poderão acompanhar estoques, pedidos e fornecedores continuamente.

E temos condições concretas de participar desse desenvolvimento. Nossa região reúne empresas, profissionais experientes, empreendedores e jovens talentos. Na Fatec Taquaritinga, com nossos cursos já trabalhamos com agentes inteligentes, análise de dados, agricultura de precisão e aplicações industriais. Esse conhecimento constitui uma base importante para desenvolver soluções próprias, adaptadas às necessidades das empresas locais.

Nossa leitura é que o próximo diferencial competitivo não estará simplesmente em possuir inteligência artificial, mas em saber organizar equipes humanas e agentes inteligentes para trabalhar conjuntamente, com autonomia, responsabilidade e objetivos bem definidos.

Há também uma reflexão sobre nosso próprio tempo. Passamos gerações procurando maneiras de executar mais atividades durante as mesmas horas. Agora, começamos a desenvolver tecnologias capazes de dar continuidade ao trabalho sem exigir continuamente nossa atenção.

O valor dessa conquista não estará nas horas que as máquinas permanecerão trabalhando, mas naquilo que nós, seres humanos, seremos capazes de realizar com o tempo, o conhecimento e as oportunidades que elas nos devolverão.

(Imagem gerada por IA)

 

*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.

Rally Auto Posto