Por Marcus Rogério de Oliveira*
Esta coluna faz parte da nossa série semanal sobre tecnologias disruptivas e seus impactos aqui, em Taquaritinga. Aos leitores que nos acompanham desde o início, obrigado pela parceria e pelas conversas que essa série tem inspirado nas empresas, nas escolas, nos podcasts e nas rodas de amigos. Hoje, retomamos um tema que surgiu numa conversa com o Leandro Bossini, presidente da ACIT. O uso e o não uso das IAs generativas (ChatGPT, Gemini, Claude, Grok, DeepSeek e outras) por empreendedores e empresários do comércio e da indústria da cidade.
Antes de tudo, é importante encarar um fato simples. A IA virou commodity. Assim como energia elétrica ou internet, ela está disponível, barata e pronta para ser usada por qualquer negócio, do escritório à loja. Não é mais coisa de gigante; é ferramenta básica. E quando algo vira insumo, a pergunta deixa de ser “vale a pena?” e passa a ser “quanto estamos perdendo por não usar?”.
As aplicações que os empreendedores podem fazer são diretas e começam antes da abertura do negócio. Eles podem pesquisar mercado, mapear concorrência, esboçar um plano financeiro, simular perfis de clientes, enxergar cenários de preço, e assim por diante. Depois que a porta abre, a IA ajuda a entender o que os números dizem, como por exemplo, interpretar relatórios, cruzar vendas com sazonalidade, identificar padrões de consumo, ajustar mix de produtos, prever demanda. No marketing, dá fôlego para campanhas personalizadas e melhor atendimento. Nos serviços e na indústria, apoia a análise de estoque, definição de rotas e prazos, padronização de documentos e até alertas para possíveis erros que passariam despercebidos.
“Quem não usa está perdendo?”, essa foi a pergunta direta. Sim. Perde-se tempo em tarefas repetitivas, dinheiro em soluções pouco assertivas e, sobretudo, velocidade para inovar. É como insistir no papel quando o cliente já vive no digital. O bom é que começar não exige uma ruptura com a forma tradicional de trabalho. Dá para começar com um passo a passo, resolvendo problemas reais do dia a dia aos poucos.
Ainda vemos barreiras. O medo de “substituir pessoas”, a ideia de que “é caro”, ou de que “é difícil demais”. Mas, isso não é o que estamos vendo na verdade. A IA não substitui o julgamento do empresário; ela o amplia. O uso inicial não precisa de um curso de programação, mas simplesmente fazer o primeiro prompt e se surpreender. Isso significa fazer perguntas claras, fornecer contexto e definir o formato das respostas. E há recursos e ferramentas gratuitos suficientes para dar muitos passos consistentes.
Para transformar essa conversa em ação, a ACIT, em parceria com a Fatec Taquaritinga, colocará à disposição dos associados uma proposta de oficinas práticas de aplicação de IA com foco em engenharia de prompt. Nada de teoria distante, traremos problemas cotidianos como interpretação de relatórios contábeis, organização de estoque, criação de campanhas, respostas a clientes, elaboração de procedimentos internos e assim por diante. Cada participante poderá levar situações reais do seu negócio e, com orientação, irá aprender a transformar seus desafios em instruções objetivas para a IA, obtendo entregas realmente úteis como planilhas, resumos, scripts de atendimento, checklists, hipóteses de teste.
A ideia é simples e poderosa. Vamos capacitar o empresário a conversar melhor com a IA para decidir melhor no seu próprio negócio. Quem nos lê semanalmente sabe que insistimos no ponto de que a tecnologia só faz sentido quando melhora a vida das pessoas e fortalece a nossa economia. Ao colocar Taquaritinga na vanguarda do uso inteligente da IA, damos um passo verdadeiro para aumentar produtividade, competitividade e, por que não, abrir espaço para novas ideias prosperarem nas nossas ruas e vitrines.
Seguimos juntos nesse caminho. Na próxima visita que fizermos na sua empresa, pode ser que a conversa com a IA já esteja ajudando a tomar a próxima boa decisão.
*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.
(Imagem gerada por IA)










