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Procedimentos são realizados desde novembro de 2020 pelo oftalmologista Dr. José Eduardo Pazin, que destaca a estrutura do hospital e o acompanhamento dos pacientes

O Hospital de Olhos Manoel Dante Buscardi, de Taquaritinga, alcançou a marca de 50 transplantes de córnea realizados desde o início do programa, em novembro de 2020. O resultado representa um avanço para o atendimento oftalmológico regional e foi tema de entrevista concedida pelo médico oftalmologista Dr. José Eduardo Pazin ao jornalista Auro Ferreira.

Especialista em córnea e catarata, Pazin é responsável pelos transplantes realizados na unidade. Natural de Santa Cruz das Palmeiras (SP), formou-se em Medicina pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, em 2003. Entre 2004 e 2006, fez residência médica em Oftalmologia na Universidade de Ribeirão Preto e no Hospital Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto. Posteriormente, especializou-se em Doenças Externas e Córnea pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), entre 2007 e 2009. Em 2012, obteve o título de especialista em Oftalmologia pela Associação Médica Brasileira e pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

O médico explicou que o projeto de transplantes em Taquaritinga começou a ser estruturado em 2018, com a preparação da documentação e a busca pelas autorizações necessárias para o credenciamento do hospital. Os primeiros procedimentos foram realizados em novembro de 2020, após o início da retomada das atividades durante a pandemia de Covid-19. Desde então, o serviço mantém uma média de uma a duas cirurgias por mês, conforme a disponibilidade de córneas e a organização da fila de pacientes.

Segundo Pazin, o acesso ao transplante segue uma fila única no Estado de São Paulo. Após a avaliação médica e a confirmação da necessidade da cirurgia, o paciente é incluído no sistema e aguarda a oferta de uma córnea compatível. O atendimento pode ocorrer por meio dos fluxos vinculados a Ribeirão Preto ou São José do Rio Preto.

O tempo de espera varia conforme a disponibilidade de tecidos para transplante, mas, de acordo com o especialista, atualmente pode ficar entre seis e oito meses. Quando uma córnea é disponibilizada pelo banco responsável, a equipe precisa organizar a cirurgia dentro do período adequado para sua utilização, respeitando as condições de conservação do tecido.

O acompanhamento não termina com a realização do procedimento. O médico informou que continua atendendo praticamente todos os pacientes transplantados pelo hospital. A frequência dos retornos varia conforme a evolução de cada caso: alguns precisam de consultas mensais, enquanto outros permanecem em acompanhamento para ajustes e retirada de pontos. Há também pacientes que já realizam avaliações anuais.

Durante a entrevista, Pazin explicou que o transplante de córnea exige monitoramento constante devido à possibilidade de rejeição. Segundo ele, existem diferentes tipos de rejeição, e a equipe precisa identificar rapidamente eventuais sinais para iniciar o tratamento adequado. Também podem ocorrer falhas primárias do transplante, situações em que pode ser necessário realizar um novo procedimento.

Ao avaliar a estrutura do Hospital de Olhos Manoel Dante Buscardi, o oftalmologista destacou a qualidade dos equipamentos e as condições oferecidas para a realização das cirurgias. Para ele, a unidade dispõe de recursos modernos que permitem a prática de uma oftalmologia de alto nível, além de contribuir para a segurança dos pacientes atendidos.

Pazin também ressaltou a responsabilidade envolvida no trabalho de cuidar da visão. Para o especialista, a capacidade de enxergar está diretamente ligada à maneira como as pessoas se relacionam com o mundo, o que torna cada atendimento uma oportunidade de recuperar ou preservar essa conexão.

A marca de 50 transplantes reforça a importância do serviço mantido em Taquaritinga, que oferece aos pacientes a possibilidade de realizar o procedimento na própria região, com acompanhamento especializado antes e depois da cirurgia.

Fonte: Auro Ferreira – Foto: Auro Ferreira/Google Maps

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