Os clubes e os projetos
No futebol moderno, a palavra “projeto” virou quase uma obrigação. Todo clube fala em planejamento, em ciclos, em processos. Mas poucos conseguem sustentar a ideia quando os resultados demoram a aparecer.
O exemplo mais recente vem do Arsenal. Quando Mikel Arteta assumiu o clube, o objetivo era claro: transformar os Gunners em campeões da Europa em três anos. O prazo passou. Aliás, já se foram sete temporadas e a tão sonhada Liga dos Campeões ainda não chegou.
Mas será que o projeto fracassou?
Talvez não.
Na última terça-feira, o Arsenal voltou ao topo da Inglaterra ao conquistar a Premier League, algo que o clube não alcançava desde 2004, na era dos “Invencíveis”. Mais do que um troféu, o título representa a consolidação de uma ideia. Um trabalho que sofreu críticas, eliminações dolorosas e temporadas sem brilho, mas que resistiu ao imediatismo.
E isso fez diferença.
A diretoria do Arsenal escolheu manter Arteta mesmo nos momentos de pressão. Em muitos clubes, ele teria sido demitido antes da terceira temporada. A permanência permitiu amadurecimento, contratações alinhadas ao estilo do treinador e, principalmente, identidade ao time.
Agora, o desafio é ainda maior: a final da Champions League, no próximo dia 30, contra o Paris Saint-Germain.
Curiosamente, do outro lado estará outro símbolo de construção. Luis Enrique falou recentemente sobre o quanto um projeto exige tempo, desgaste e convicção. O PSG, tantas vezes marcado por decisões impulsivas, tenta hoje seguir uma linha mais consistente.
No Real Madrid, por exemplo, o início do trabalho de Xabi Alonso já mostra como o futebol ainda vive dividido entre paciência e ansiedade. Muitos querem resultados imediatos antes mesmo do ciclo ganhar forma. Resultado, demissão e duas temporadas sem ganhar nada.
E falando em ciclos, neste domingo se encerra oficialmente uma era histórica: a passagem de Pep Guardiola pelo Manchester City. Um projeto que começou cercado de expectativa e terminou colecionando títulos, domínio nacional e a tão desejada Champions League.
Deu certo porque houve investimento, competência e, acima de tudo, continuidade.
No fim das contas, o futebol sempre deixa a mesma pergunta no ar:
Seu clube realmente tem um projeto vencedor… ou apenas pressa por resultados?
Foto: Instagram/IMAGO/PA Images













