Fuzinelli: um artista para ser lembrado
Se sairmos perguntando, pelas ruas de Taquaritinga, quem foi Orlando Fuzinelli, é bem provável que ninguém tenha ouvido falar dele. É uma pena que nem nas escolas da cidade em que nasceu ensinem alguma coisa sobre ele e a arte que representou.
Natural do distrito de Jurupema (23 de julho de 1948), começou seus primeiros rabiscos ainda criança, na fazenda onde cresceu, usando carvão e lápis de cor. Em 1976, trocou Taquaritinga por São José do Rio Preto, onde trabalhou como funcionário público e começou a expor com frequência nos salões de arte da região.
O jovem Fuzinelli passou a expor formalmente a partir de 1986. Ao longo da carreira, participou da Bienal Naifs Brasil (Sesc) e do Museu Internacional de Arte Naif do Brasil (MIAN, no Rio de Janeiro), entre outras exposições. Também atuou como diretor do Museu de Arte Primitivista José Antonio da Silva, em Rio Preto.
O artista autodidata usava materiais como bisnagas de tinta látex, acrílica e tinta para tecido para compor suas telas –evitava a tinta a óleo pelo incômodo com o cheiro dos solventes. Suas telas retratam o cotidiano caipira, festas populares, mitos do folclore e paisagens rurais carregadas de cores vibrantes e lirismo.
Ele criou uma assinatura visual, uma espécie de marca registrada: sutilmente, desenhava três cachorrinhos (dois pretos e um branco), escondidos ou em destaque nas suas composições. Tornou-se nada menos que um dos maiores expoentes da arte Naif no País, tendo participado de exposições coletivas internacionais, como a mostra Brasil e Haiti na sede da ONU, em Nova York.
Sua obra tem reconhecimento internacional. Telas de Fuzinelli integram acervos particulares e museus em países como Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Dinamarca e Portugal. A Câmara de Taquaritinga deve ser a única detentora de um quadro de sua autoria no município em que ele nasceu.
No Brasil, venceu vários concursos e esteve em renomados salões de arte. Foi premiado em edições do tradicional Festival do Folclore de Olímpia por retratar o folclore e as manifestações populares em suas telas multicoloridas.
Em 2024, ano de seu falecimento, recebeu uma homenagem especial no evento Rio Preto Literário por sua contribuição às artes visuais e à cultura regional. Mas, em Taquaritinga, quase ninguém se lembra dele, o que é compreensível, porque conta-se nos dedos quem consegue ser profeta na terra em que nasce.
Mas nunca é tarde para reparar esse erro. Em virtude de sua importância para as artes plásticas e por ser filho da terra, Orlando Fuzinelli pode muito bem ser estudado em projetos especiais nas escolas estaduais e municipais. Quem sabe algum aluno se encante com sua técnica e o seu talento.
Foto do artista: Ilustrativa/Gerada por IA












