Pra não dizer que não provei das flores
Depois de muitos adiamentos, fui à feira de flores de Holambra. Vale a pena o passeio, mas vá calçando um par de tênis confortável porque se anda bastante para conhecer tudo o que é oferecido aos olhos e ao estômago do turista. Prepare o bolso também. Para começar, tem um galpão repleto de flores e enfeites à espera de quem deseja dar uma arrumada no jardim.
Mas essa é apenas uma parte. Saindo de lá, há um mundo de instalações instagramáveis para fotografias. Tem módulos climatizados com móveis para áreas externas, uns mais bonitos que os outros. Fora os shows artísticos e as diversas opções de consumo para um almoço completo ou uma refeição rápida.
Para a sobremesa, então, o cardápio é grande. Minha namorada e eu experimentamos o sorvete de rosas, com direito a pétalas na massa. Há outros sabores florais, para quem deseja presentear o paladar com sabores nunca antes experimentados.
O complexo onde se realiza a feira, imenso, é particular. Pertence a uma associação de produtores. Conta com ginásio esportivo, piscina, parque de diversões, entre outras atrações. Durante o ano, o local recebe eventos corporativos e acadêmicos.
O que mais me chamou a atenção foi o museu, também lá dentro do parque. Deu até inveja, tão bem cuidado que é. São peças e centenas de fotografias que retratam famílias holandesas. A primeira leva chegou em 1948. A presença deles, a começar pelo nome da cidade, está por toda parte.
A organização da Expoflora reflete a organização do pequeno município, que fica a 230 quilômetros daqui. Holambra é uma das melhores cidades do Estado para se viver, com segurança, ótimos serviços públicos de saúde e economia próspera, baseada na floricultura e no turismo.
Ver aquele pedaço de país que deu tão certo desperta uma reflexão inevitável sobre a nossa história. Diante de tudo o que foi feito na Capital Nacional das Flores, fica a sensação de que nós, brasileiros, talvez não devêssemos ter expulsado os holandeses lá no século XVII, quando ainda erávamos apenas uma tentativa de país.
É instigante imaginar como poderia ter sido o Brasil se a presença holandesa tivesse se expandido e fincado raízes mais profundas por aqui. Talvez tivéssemos herdado mais cedo aquele rigor urbanístico, o planejamento de longo prazo, a forte vocação para o cooperativismo e o zelo com o espaço público e com a terra.
Isso, é claro, sem desmerecer a riqueza incalculável de todas as outras imigrações que moldaram a nossa cultura e construíram a nossa identidade. Cada povo deixou sua marca fundamental no nosso mosaico. Mas a experiência de ver a floricultura e o civismo florescerem no interior paulista mostra a força dessa herança específica.
Sorte de Holambra, que soube acolher tão bem seus imigrantes e, em troca, recebeu um exemplo de como o trabalho organizado pode transformar o solo em prosperidade. Tudo bem, bateu aquele complexo de vira-lata. Vai passar. Enquanto isso, vou fazer uma torta holandesa, mesmo sabendo que ela não veio de lá.
(Imagem gerada por IA)












