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Cadê a empolgação?

Poucos dias nos separam da abertura da maior festa do futebol mundial e até agora ninguém está no clima. Seria pedir demais, quando o mundo está às voltas com um Trump tentando colocar o mundo sob suas botas. O homem inventa uma guerra aqui, invade um país ali, manda um tarifaço acolá… No centro de uma parte dessas mal-aventuranças, o Brasil ainda tem a turma dos patriotas que vive arquitetando traquinagens para prejudicar o que já não anda muito bem.

A Copa do Mundo vai começar e não vimos sequer uma rua pintada, uma bandeirinha tremulando. É o resultado da crise de confiança na Seleção, que há 24 anos não nos dá uma alegria. Nessa época, em 2002, a Prefeitura já havia colocado franjas verde-amarelas na Campos Sales e um outdoor com a foto do Edmilson. Tudo bem, não é sempre que um filho da terra é convocado, mas não vê mais aquela motivação de antigamente. Teria a pátria apeado das chuteiras?

Os comerciantes, nossos guardiães de sonhos sazonais, apostam com parcimônia no torneio promovido pela Fifa. A exceção fica por conta dos grandes magazines, que nos ofertam TVs de todos os tamanhos e tecnologias. De resto, algumas vitrines estampam produtos oficiais e outros alusivos, na esperança de que na última hora alguém os procure. Ou que o Brasil avance até a final, porque aí, a cada vitória, a venda aumenta substancialmente.

Minha torcida é que aquele economista alemão que acertou os campeões das três últimas Copas esteja, desta vez, errado. Segundo ele, o Brasil passará em primeiro na fase de grupos e cruzará, na etapa seguinte, com o Japão. Ele prevê uma zebra, com os japoneses despachando os canarinhos e adiando o projeto do hexa para 2030. Aliás, conforme a fórmula de Joachim Klement, quem leva a taça do mundo desta vez é a Holanda, vencendo a final contra Portugal. Veremos.

Gostaria muito que a Seleção de Ancelotti vencesse, para que o país tivesse alguma coisa boa para comemorar. Por dias, esqueceríamos um pouco dessa tal de pré-campanha, que só antecipou os palanques eleitorais e alongou os ataques. Coisa chata ficar discutindo política o ano inteiro. Podem me acusar de desejar pão e circo para o povo. Afinal, o que a polarização está oferecendo não é um espetáculo de picadeiro?

Digo que torço pela Seleção porque já ouvi gente falando que vai torcer contra porque o sucesso de Vini Jr. e companhia poderia ajudar Lula na eleição. Pode até ser, porque o presidente tiraria uma casquinha da taça, recebendo os jogadores no Palácio e fazendo aqueles trocadilhos manjados entre política e futebol. Até um governante que não gosta de esporte agiria da mesma forma. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.

O patriotismo tem que entrar em campo, mesmo se a gente não saiba a escalação, como é o meu caso (prometo que saberei até a estreia, contra Marrocos, no dia 13). Aliás, nem mesmo os aficionados por futebol conhecem todos os jogadores e onde estão atuando. Fora do país desde muito jovens, muitos deles são ilustres desconhecidos que poderão cair nas graças dos brasileiros ou ganharem um rótulo nada amigável, conforme o desempenho apresentado.

De resto, é só torcer mesmo.

(Imagem gerada por IA)