Você é feliz?
O recente Relatório Mundial da Felicidade (World Happiness Report) indicou que o Brasil é o 36.º país mais feliz do globo. O documento não aponta a razão, mas avançamos algumas casas em relação ao ano passado, quando estávamos na posição 44. Arrisco a dizer que quanto mais nos distanciarmos do período das trevas, que coincidiu com a pandemia, mais ficaremos felizes.
O relatório é produzido por uma parceria entre a Gallup, o Centro de Pesquisa de Bem-Estar da Universidade de Oxford, a ONU e o Conselho Editorial do Instituto britânico WHR. Desde 2012, eles coletam dados de bem-estar em mais de 140 países, e pesquisadores de várias disciplinas acadêmicas fazem análises de alta qualidade.
O relatório deste ano trouxe uma coisa em comum: jovens de todo o mundo se dizem mais infelizes. As razões estão ligadas a questão que vão além das sociais e pessoais, como guerras, inflação, desemprego, falta de expectativas e solidão. As mudanças climáticas também estão entre as variáveis citadas. Sinal dos tempos.
Essa constatação não chega a ser uma novidade, embora a pesquisa tenha apontado um crescimento entre os que se declaram menos felizes. Como a fase da juventude se estendeu, é maior o contingente de pessoas que vive aquelas indefinições típicas dessa faixa etária. Por exemplo, não é fácil decidir, aos 17 anos, que carreira profissional abraçar.
Conheço gente beirando os 30 que não é nem adolescente a ponto de depender exclusivamente dos pais nem adulto para ser dono do próprio nariz. Mas aspiram à independência que, por razões diversas, ainda não conquistaram.
Os dilemas juvenis são naturalmente um convite aos questionamentos, que podem desembocar senão numa melancolia pelo menos num estado de não-felicidade. Um ingrediente que veio para entornar ainda mais esse caldo são as onipresentes redes sociais, que suscitam comparações e exibem modelos de vida artificiais.
Faz um bocado de tempo que fui jovem, mas ainda me lembro dela – já posso ter nostalgia. Também senti essa infelicidade que incomoda. Se você quiser saber, ela é muita positiva. É a mola que nos impulsiona, é o empurrão que falta para empreendermos esforços que nos levarão a uma vida melhor.
É verdadeiro o axioma segundo o qual “tempos difíceis fazem homens fortes”. Se vivêssemos sempre no bem-bom, que estímulo teríamos para buscar novos caminhos? É melhor não chegar a tanto, mas felizes os que conseguem usar o fundo do poço para tomar impulso.
De acordo com a pesquisa inglesa, as dez primeiras nações do ranking da felicidade são: Finlândia, Dinamarca, Islândia, Suécia, Holanda, Costa Rita, Noruega, Israel, Luxemburgo e México. Como era de se esperar, nem um deles abaixo da linha do Equador.
Considerando que o estudo é feito em quase duas centenas de países, até que o Brasil não está tão mal. Entre os países da América do Sul, apenas o Uruguai ficou à frente, na 28.ª colocação. A vantagem deles é que eles têm o Pepe Mujica e o técnico da La Celeste não é o Dorival Junior.
Nunca respondi a uma pesquisa sobre felicidade, o estado emocional que, conforme a doutrina espírita, não é deste mundo. Por isso, ela seria apenas relativa, ou seja, ninguém é absolutamente feliz em todas as áreas da vida. Se fosse entrevistado, diria que sou feliz. Afinal, tenho saúde, emprego e, principalmente, fé em Deus – que nunca me deixou desanimar, dando-me pessoas especiais para amar.
(Imagem gerada por IA)










