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Crônica da semana por Nilton Morselli

Recortes do futuro

Conjecturas para um mundo em transformação.

2029, SETEMBRO. Um acordo firmado ontem entre as maiores operadoras de inteligência artificial e o governo dos Estados Unidos, prevê o fim dessa tecnologia. Nos moldes como está se desenvolvendo, ela representa altos riscos. O estopim da crise foi o que ocorreu há poucos dias com um supercomputador, que se tornou autônomo e invadiu o sistema de uma distribuidora norte-americana, interrompendo o fornecimento de energia elétrica para grande parte do país. A máquina criptografou os dados e exigiu resgate de 10 milhões de dólares. A presença humana no crime foi descartada pelo FBI.

2032, MARÇO – A Conferência do Clima, realizada pela ONU (Organização das Nações Unidas) na Alemanha, emitiu um relatório preocupante a respeito do impacto das mudanças climáticas. Estudos conduzidos por diversas universidades convergem para uma única conclusão: se as emissões de gases poluentes não cessarem imediatamente, catástrofes ambientais cada vez mais severas colocarão em risco metade da população da Terra em menos de dez anos. O aviso foi dado.

2033, SETEMBRO. Os Correios deverão contar em breve com uma forcinha a mais na hora de entregar encomendas e correspondências. A empresa importou da China a primeira remessa de drones especializados em serviço postal. Os carteiros do ar, como os equipamentos já estão sendo chamados, serão utilizados em entregas em locais de difícil acesso e podem deixar a encomenda nas mãos do destinatário.

2035, FEVEREIRO – A fábrica da Volkswagen produziu hoje o seu último carro flex, movido a gasolina, etanol e eletricidade. A partir de agora, a montadora só produzirá carros elétricos no Brasil, assim como já acontece em suas outras unidades pelo mundo. A medida já havia sido tomada por três montadoras: Fiat, Ford e General Motors. A marca alemã está investindo pesado nos motores movidos a energia solar, que devem equipar seus veículos em no máximo dois anos.

2037, JULHO. O governo federal lança hoje uma linha de crédito para carros voadores. O objetivo é desafogar o trânsito em grandes capitais. Modelos para quatro pessoas, utilizados por empresas de transporte aéreo coletivo, os aerotáxis, movidos a energia, solar terão subsídio de até 30%.

2039, DEZEMBRO. Enfim, a notícia mais esperada de todos os tempos. Um grupo de cientistas de vários países, inclusive do Brasil, anunciaram a cura do câncer. Pesquisas envolveram várias frentes, de nanotecnologia às células tronco, para combater a doença de forma eficaz e definitiva. O tratamento envolve apenas a ingestão de medicamentos. Outra grande novidade, que deverá chegar ao mercado em poucos meses, é a vacina contra todos os tipos de câncer.

2043, AGOSTO – A Petrobras desativa hoje a sua última plataforma de extração de petróleo. A baixa demanda mundial já paralisou a produção em diversas refinarias do mundo. A mudança na matriz energética dos automóveis e até mesmo veículos de cargas tem impactado diretamente o setor. Os aviões comerciais, porém, continuam voando com motores movidos a querosene.

2048, ABRIL. A Meta, empresa que concentra todas as redes sociais do mundo, acaba de anunciar o encerramento de suas plataformas. Populares no começo do século, as redes foram caindo em desuso com o acelerado aumento da inteligência humana. A principal reclamação dos últimos usuários era com relação ao “esgotamento da fórmula”. A superficialidade das interações e os embates políticos marcaram o passado dessas plataformas, que chegaram a movimentar cifras bilionárias. Os bancos de dados que constam dos perfis pessoais serão destruídos.

2051, JUNHO. O Consórcio China-EUA dará início até o fim do mês à colonização da Lua. Dentre as pessoas que se habilitaram a morar lá, cinquenta já receberam treinamento. Suprimentos, como alimentos e remédios, necessários para o período de um ano serão enviados na semana que vem. As primeiras casas ficaram prontas há poucos dias. O projeto se tornou viável desde que as viagens ao satélite natural ficaram mais acessíveis e seguras.

Foto: Fernando Astasio Avila (Shutterstock)

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