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Por Marcus Rogério de Oliveira*

Queridos leitores, é sempre uma satisfação voltar a esta conversa sobre tecnologia, inovação e os caminhos que se abrem diante de nós, acompanhando juntos as transformações que mudam rapidamente nosso cotidiano e ampliam nossas possibilidades.

Na semana passada refletimos sobre inteligências menores e especializadas, construídas para resolver problemas específicos. Nesta semana, outro movimento confirma, mais uma vez, a direção que vínhamos apontando em nossas reflexões.

A inteligência artificial está passando da resposta para a ação.

Até pouco tempo, nossa relação com os modelos de IA era relativamente simples. Fazíamos uma pergunta, escrevíamos um comando, enviávamos um documento e recebíamos uma resposta.

Os agentes mudaram essa lógica. Nesta semana, a Meta levou o Muse aos computadores Mac, permitindo que o agente, mediante autorização, trabalhe diretamente com arquivos, mensagens, calendário, notas e e-mails. A Perplexity também ampliou seu Portable Computer para computadores Windows compatíveis, executando localmente tarefas de várias etapas, analisando arquivos e organizando trabalhos.

A mudança parece pequena até percebermos o que realmente aconteceu. A IA não se limita mais a dizer o que fazer. Ela começa a fazer.

Abre aplicações, consulta informações, trabalha entre diferentes sistemas, organiza arquivos, acompanha processos e executa tarefas autorizadas.

Agora leve essa mesma lógica para nossas empresas. Em vez de perguntar como está a produção, um agente acompanha a produção.

Em vez de perguntar por que uma máquina apresentou determinada falha, ele consulta sensores, histórico de manutenção, ordens anteriores e procedimentos técnicos.

No campo, acompanha clima, imagens, máquinas, sensores e produtividade. Na indústria, conecta manutenção, produção, qualidade e estoque. No comércio, relaciona vendas, compras, entregas e disponibilidade de produtos.

E surge uma nova exigência tecnológica. Hoje perguntamos se uma máquina possui sensores, conectividade, telemetria ou API. A próxima pergunta será: ela está pronta para trabalhar com agentes?

Isso abre uma enorme frente de inovação. Softwares precisarão oferecer acesso estruturado e seguro. Máquinas terão de expor dados e funções. Empresas criarão permissões e mecanismos de governança para determinar até onde cada inteligência pode observar, decidir e agir.

E tudo isso precisa de software, integração, segurança e conhecimento dos processos reais. É exatamente aí que nossa região tem vantagem.

Conhecemos agricultura, máquinas, indústria, comércio, logística e produção porque convivemos com esses ambientes todos os dias.

Na semana passada falamos sobre inteligências próprias. Agora damos o próximo passo. Não basta uma inteligência saber. Ela precisa saber fazer.

E uma nova geração de produtos e negócios começará exatamente aí.

(Imagem gerada por IA)

 

*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.