Por Marcus Rogério de Oliveira*
Queridos leitores, obrigado mais uma vez pela companhia de todas as semanas.
Há algumas semanas atrás conversamos sobre como o mundo seria software. E não era uma metáfora. Nossa visão sempre foi a de que chegaríamos a um momento em que criar sistemas deixaria de ser privilégio único de grandes projetos, grandes empresas e grandes equipes. Haveria software para aquilo que hoje ainda fazemos na mão, na planilha, no papel, no WhatsApp ou simplesmente do jeito que sempre foi feito.
Esse momento já está aqui.
O Codex, apresentado pela OpenAI e agora transformado em um ambiente de agentes de desenvolvimento, é um bom retrato dessa mudança. Já é possível entregar um problema, permitir que a inteligência artificial percorra um projeto, altere arquivos, escreva código, execute testes, corrija erros e coordene diferentes agentes trabalhando simultaneamente.
Isso muda tudo. Porque o grande impacto da inteligência artificial sobre o software não será apenas produzir mais rápido aquilo que já produzíamos. Será produzir aquilo que nunca produziríamos.
Uma usina poderá criar dezenas de pequenas aplicações para processos muito particulares. Uma propriedade rural poderá ter sistemas pensados para sua própria operação. Uma indústria poderá automatizar aquele controle que hoje depende da experiência de uma única pessoa. Empresas poderão construir ferramentas para problemas tão específicos que jamais haveria mercado suficiente para alguém vender um software pronto.
O código começará a ficar abundante. Mas confiança não. E talvez essa seja a parte mais importante dessa história.
Fazer alguma coisa funcionar será cada vez mais fácil. Porém, construir um sistema que possa controlar uma operação de verdade continuará exigindo conhecimento.
Quem garante que os dados estão protegidos? Quem define a arquitetura? Quem impede que uma falha derrube a empresa inteira? Quem cuida da nuvem, dos acessos, das integrações, dos backups, da segurança e da recuperação quando alguma coisa dá errado?
Software mal construído não provoca apenas uma mensagem de erro. Pode parar uma indústria, expor dados pessoais, gerar prejuízos, abrir uma porta para ataques, comprometer decisões ou colocar uma empresa diante de graves problemas legais.
Por isso continuo vendo um futuro de enorme valorização dos profissionais de computação. A IA não acabará com a necessidade de profissional formado em tecnologia. Fará exatamente o contrário.
Quanto mais fácil for construir software, mais software existirá. Quanto mais software existir, mais o mundo dependerá dele. E quanto maior essa dependência, maior será a necessidade de profissionais preparados em engenharia de software, arquitetura de sistemas, infraestrutura, dados, nuvem, cibersegurança e inteligência artificial.
O programador não desaparecerá. Ele terá muito mais mundo para programar.
E nossa região está cheia desse mundo esperando para ser construído. Está nas indústrias, nas usinas, nas propriedades rurais, no comércio, nos serviços e nas pequenas empresas.
Durante muito tempo faltou software para resolver nossos próprios problemas. Agora, com tudo aquilo que finalmente será possível construir, nossa região tem uma vantagem importante: há mais de 34 anos a Fatec Taquaritinga forma profissionais que transformam tecnologia em soluções reais, sem perder aquilo que nenhuma máquina pode substituir: o olhar humano, a responsabilidade e o compromisso com as pessoas.
(Imagem gerada por IA)
*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.









