Santa-casa banner
Shadow

Por Marcus Rogério de Oliveira*

Queridos leitores, nas últimas semanas tenho vivido uma experiência que vem mudando minha forma de trabalhar, organizar ideias, desenvolver projetos e lidar com o conhecimento acumulado. Estou utilizando o Hermes Agent, um agente de inteligência artificial de código aberto desenvolvido pela Nous Research, por meio de um bot no Telegram e diretamente pelo celular. Integrado ao OpenCode e aos modelos da DeepSeek, ele está me ajudando a construir aquilo que podemos chamar de um segundo cérebro digital.

O acesso pelo Telegram é um dos grandes diferenciais. Não preciso estar no computador para conversar com o Hermes, registrar uma ideia, consultar informações ou solicitar uma tarefa. Pelo celular, envio instruções e mantenho minhas atividades em andamento de praticamente qualquer lugar.

Mas não se trata apenas de conversar com uma inteligência artificial. A diferença real está no fato de que a IA atua em um ambiente que preserva informações, recupera decisões, relaciona assuntos e ajuda a continuar atividades já iniciadas.

É isso que tenho feito com o Hermes. Ele consulta arquivos, segue minhas instruções, utiliza ferramentas do computador e coordena tarefas. O OpenCode participa do desenvolvimento de software, enquanto os modelos da DeepSeek apoiam a interpretação e o raciocínio.

Uma ideia pode surgir durante um deslocamento, uma reunião ou qualquer momento do dia. Em vez de apenas anotá-la, posso enviá-la ao Hermes, explicar o contexto e pedir que ele registre, organize ou dê continuidade ao assunto.

O tempo todo envio mensagens ao Hermes, que roda no meu computador em casa. Pergunto: o que tenho para hoje? Onde parei naquele projeto? O que preciso entregar na próxima semana? Ele recupera o contexto e me ajuda a transformar anotações em resultados concretos.

Quando informo que tenho um compromisso, ele pergunta qual é o objetivo, o que precisa ser feito e qual será a entrega. Assim, os apontamentos deixam de ser meras anotações. Um compromisso deve resultar em um documento, um e-mail, uma reunião preparada ou até uma nova parte de um software.

Essa experiência se aproxima do conceito de segundo cérebro, que ganhou nova dimensão com os modelos de linguagem e com a ideia de LLM Wiki apresentada por Andrej Karpathy. A proposta é construir uma base pessoal de conhecimento que não seja apenas um conjunto de documentos, mas um sistema organizado e atualizado com o apoio da inteligência artificial.

A IA acrescenta algo novo aos cadernos, pastas e aplicativos de notas: o sistema pode interpretar, resumir, relacionar e reorganizar aquilo que registramos. Isso reduz o tempo perdido procurando informações, reconstruindo decisões e repetindo análises.

Naturalmente, essa memória precisa ser supervisionada. A revisão humana continua sendo essencial. O segundo cérebro não substitui nosso pensamento. Ele ajuda a preservar e utilizar melhor aquilo que já pensamos.

Mas a oportunidade vai além da organização pessoal. Agentes como o Hermes podem automatizar atividades nas empresas, acompanhar processos, preparar documentos, consultar sistemas e apoiar equipes. No campo, podem ajudar produtores a registrar ocorrências, acompanhar atividades, consultar informações técnicas e organizar decisões da propriedade.

Para Taquaritinga e nossa região, o ponto mais importante não é apenas utilizar essas ferramentas. Podemos desenvolver, adaptar e personalizar agentes para o comércio, a indústria, o agronegócio, a educação e o poder público. Podemos criar soluções a partir dos problemas reais das empresas e dos produtores locais.

Temos instituições de ensino, profissionais, estudantes, empresas e conhecimento para transformar inteligência artificial em produtos, serviços e negócios. Queremos uma Taquaritinga que seja protagonista na criação de tecnologia. Uma cidade que desenvolve soluções, gera renda e constrói novas oportunidades por meio da inteligência artificial e da inovação.

 

*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.

 

(Imagem gerada por IA)

Rally Auto Posto