Por Marcus Rogério de Oliveira*
Queridos leitores, nas últimas semanas temos conversado bastante sobre agentes autônomos com inteligência artificial, automação de processos e novas formas de trabalho. Mas talvez a pergunta mais importante que tenhamos que fazer neste momento é apenas o que essas tecnologias conseguem fazer pelo comércio da nossa cidade, pelas pequenas empresas, pelas lojas de bairro, pelos prestadores de serviço e pelos empreendedores que precisam vender mais, atender melhor e organizar suas rotinas?
É nesse ponto que ferramentas como o Hermes começam a chamar atenção. O Hermes pode ser entendido como um agente de automação conectado aos nossos meios de comunicação, sistemas e comandos. Em vez de ser apenas um chatbot que responde perguntas, ele pode executar tarefas, acompanhar solicitações, organizar informações, acionar outros sistemas e ajudar o comerciante a transformar conversas em ações concretas.
Pense comigo: quantas vezes uma venda se perde porque o cliente mandou mensagem fora do horário comercial? Quantas vezes um orçamento demora para ser respondido? Quantas vezes uma loja esquece de retornar para alguém que demonstrou interesse em um produto? Quantas oportunidades ficam paradas no WhatsApp, no Instagram, no Telegram ou em planilhas desorganizadas? O problema, muitas vezes, não é falta de vontade. É falta de braço, falta de tempo e excesso de pequenas tarefas repetitivas.
Um agente como o Hermes pode atuar justamente nesse espaço. Ele pode receber uma mensagem de um cliente, identificar a intenção, registrar o pedido, consultar informações, preparar uma resposta inicial, avisar a equipe, organizar uma lista de pendências e até disparar lembretes. Em um comércio, isso pode significar atendimento mais rápido, menos esquecimento, mais controle e uma experiência melhor para o consumidor.
Imagine uma loja de roupas utilizando um agente para separar pedidos por tamanho, cor e disponibilidade. Imagine uma oficina recebendo solicitações de orçamento e organizando automaticamente os serviços por urgência. Imagine uma clínica, uma escola de cursos, uma assistência técnica, uma imobiliária ou um pequeno mercado usando um agente para registrar demandas, confirmar horários, lembrar pagamentos, acompanhar entregas ou preparar relatórios simples do dia.
Mas é importante dizer: isso não elimina o papel das pessoas. Pelo contrário. O Hermes não substitui o comerciante, o vendedor ou o atendente que conhece o cliente pelo nome. Ele ajuda essas pessoas a trabalharem melhor. A tecnologia assume parte da rotina operacional, enquanto o ser humano continua fazendo aquilo que tem mais valor: negociar, acolher, decidir, criar relacionamento e entender as necessidades reais de cada cliente.
O comércio que usar agentes de automação não será somente o comércio mais tecnológico no sentido frio da palavra, será o comércio mais atento, mais responsivo e mais organizado. Será aquele que consegue atender melhor sem perder sua identidade humana.
E aqui existe uma grande oportunidade para Taquaritinga e região. Pequenas empresas podem começar com soluções simples, conectadas à realidade local, sem precisar imaginar projetos gigantes. A inteligência artificial não precisa chegar ao comércio como algo distante ou assustador. Ela pode chegar como um ajudante digital, discreto e eficiente, que fica ao lado do empreendedor para cuidar das tarefas que consomem tempo e deixam oportunidades escaparem.
No fim, talvez a grande transformação não esteja apenas em vender pela internet. Talvez esteja em fazer o comércio conversar melhor, lembrar melhor, responder melhor e decidir melhor. E, nesse novo cenário, agentes com inteligência artificial podem se tornar uma ponte entre a tecnologia e a rotina real de quem abre a porta da loja todos os dias para trabalhar.
*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.
(Imagem gerada por IA)










