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Por Marcus Rogério de Oliveira*

Queridos leitores, há alguns meses estou vivendo uma experiência muito concreta, daquelas que provam, com força, que alguma coisa, definitivamente, mudou de lugar no mundo. Estou trabalhando com ferramentas de vibe coding como o Claude Code, da Anthropic, o Codex, da OpenAI, e o OpenCode com modelos como o DeepSeek. Não somente isso, fui além: instalei o Hermes e, com um agente conectado ao Telegram, comecei a criar sistemas remotamente, conversando com a máquina como quem orienta uma equipe técnica.

E não sou o único. Isso já virou rotina de laboratório, de empresa, de universidade e, em breve, será rotina de muita gente. A diferença é que agora não estamos falando apenas de usar inteligência artificial para escrever um texto, responder uma pergunta ou gerar uma imagem. Estamos falando de usar IA para construir software. E o software, meus queridos leitores, é o grande motor propulsor do mundo moderno.

Tenho pensado muito nisso: a humanidade ainda vive com falta de software. Sim, falta software. Falta software em casa, no trânsito, na escola, na saúde, no comércio, na agricultura, na indústria, nos serviços públicos, nos pequenos negócios e até nas tarefas mais simples do nosso cotidiano. Muita coisa ainda é feita manualmente ou por processos analógicos, no papel, no “sempre foi assim”, na mensagem perdida no WhatsApp, na planilha mal cuidada, na memória de alguém que um dia vai embora. Falta gestão. Falta controle. Falta segurança. Falta eficiência. Falta inteligência aplicada ao dia a dia. Não me refiro à inteligência humana. Falta inteligência no hardware, nos equipamentos e nas coisas que nos rodeiam, que usamos para nosso conforto, segurança e praticidade.

Durante muito tempo, desenvolver software foi caro, demorado e restrito. Isso não acabou, mas mudou de escala. Com os novos agentes de programação, uma boa ideia pode virar protótipo muito mais rapidamente. Uma demanda pode se transformar em sistema. Um problema pequeno, que nunca justificaria um grande investimento, pode finalmente ganhar uma solução. A casa pode ter software. O bairro pode ter software. A oficina, a loja, a fazenda, a escola, a igreja, a associação, o escritório e a cidade podem ter software.

Mas é aqui que entra um ponto fundamental: essa facilidade não diminui a importância do profissional de computação. Pelo contrário. Ela aumenta.

Uma pessoa sem conhecimento técnico pode até pedir para a IA gerar um software. Mas isso não significa que ela saberá construir um bom sistema. Existem muitos softwares ruins sendo feitos porque falta engenharia de software, falta modelagem, falta banco de dados bem pensado, falta preocupação com segurança, falta usabilidade, falta manutenção, falta respeito à LGPD, falta visão de produto e falta responsabilidade. A IA acelera, mas não substitui o conhecimento técnico em engenharia de software. Ela entrega força, mas alguém precisa saber pilotar.

Por isso, o futuro do profissional de desenvolvimento de software nunca foi tão promissor. O mundo será dos softwares, mas não de qualquer software. Será dos softwares bem projetados, seguros, úteis, inteligentes, acessíveis e capazes de resolver problemas reais. Quem souber programar, entender sistemas, pensar processos, conhecer dados, segurança, experiência do usuário e inteligência artificial terá nas mãos uma das profissões mais estratégicas do nosso tempo.

E é impossível não olhar para Taquaritinga diante desse cenário. Temos aqui a Fatec que forma profissionais de tecnologia há 34 anos. Temos talentos. Temos jovens criativos. Temos professores, projetos, parcerias e uma história construída com muito esforço. É certo que o futuro que está chegando passa pela formação superior tecnológica, prática e conectada com problemas reais, como a que fazemos aqui em Taquaritinga, na Fatec.

A grande oportunidade agora é empreendedora. Taquaritinga pode criar. Pode formar equipes. Pode gerar startups. Pode desenvolver soluções para agricultura, indústria, comércio, saúde, serviços e gestão pública. Pode transformar problemas locais em produtos digitais. Pode vender inteligência para outras cidades. Pode ser produtora de tecnologia.

A inteligência artificial colocou uma turbina na criação de software. Mas a turbina sem piloto não termina a viagem. E o piloto, nesse novo mundo, é o profissional de computação bem formado, ético, criativo e preparado.

A mensagem desta semana é simples: quem se forma em uma faculdade de computação está ficando indispensável. A lacuna de sistemas que ainda faltam na vida das pessoas é gigantesca, quase infinita. E agora, pela primeira vez, talvez tenhamos ferramentas suficientes para começar a preenchê-la.

O futuro não será apenas digital. Ele será programável. E quem souber programar esse futuro terá muito trabalho, muitas oportunidades e uma responsabilidade enorme e empolgante nas mãos.

(Imagem gerada por IA)

 

*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.

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