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Nós merecemos mais

A Prefeitura de Taquaritinga está em crise desde que eu consigo me lembrar –e faz tempo que consigo. Por que é que tem que ser assim? Por que não temos um caixa reforçado e uma cidade mais estruturada, para o deleite da população? Mais do que perguntas, são desejos que trago comigo, exatamente por ter nascido aqui e ter optado por permanecer. Mas vamos deixar a solução desse problema para os gestores que o povo escolheu, os atuais e os pretendentes, porque pelo jeito o problema ainda vai se arrastar por muito tempo. O que me interessa é sonhar, é imaginar uma cidade melhor, e torcer para que um dia o sonho se concretize.

Numa determinada eleição não muito distante, tive a ousadia de entrar no portal do TRE para ler a proposta de governo de todos os candidatos a prefeito. Alguns dos documentos me chamaram a atenção, tantas eram as ideias e os projetos. Se pelo menos uma parte deles fosse executada, teríamos um salto de qualidade de vida, a ponto de a cidade atrair milhares de moradores em busca de vivenciar tanto progresso. Se você ler a Lei Orgânica Municipal também vai ficar maravilhado: está tudo lá, à espera de quem comece a transpor suas disposições para a realidade.

Claro, o papel aceita tudo, as promessas são livres, sem limites e isentas de punição pela Lei Eleitoral. Numa campanha, se pode prometer mundos e fundos e, depois, dizer que nada daquilo será possível realizar em razão da parca arrecadação. Ou então, nem dar uma justificativa, o que é mais comum. Que são peças mais literárias do que viáveis em razão do ponto a que chegamos, todo mundo já sabe, mas o importante é que são uma prova de que idealizar um futuro melhor é possível. Pena que esses documentos cheguem às mãos de tão poucas pessoas.

O erro é acreditar que o prefeito deve ser o executor de todas as coisas. O verdadeiro papel do poder público é o de liderança estratégica. Cabe à Prefeitura criar as condições ideais para que a sociedade entre em ação, desatando os nós da burocracia e derrubando as barreiras que sufocam quem quer produzir. Quando o governo foca em destravar caminhos, a iniciativa privada mostra do que é capaz –como é o caso do crescente mercado imobiliário local, que está ajudando o município a sair do século XX.

Nesse horizonte que ouso desenhar, imagino uma Taquaritinga que cresça verticalmente, aproveitando melhor o espaço urbano sem se espalhar desordenadamente, mas que faça isso mantendo o respeito aos olhos e à História: uma cidade sem a poluição visual que satura as fachadas e esconde a beleza da nossa arquitetura. Uma cidade que ostente um parque industrial moderno, pulsando com plantas tecnológicas e indústrias limpas, capazes de reter nossos jovens talentos e gerar empregos de alto valor agregado, mudando o patamar da nossa economia.

Olho para a nossa terra e imagino ruas impecavelmente bem cuidadas, abraçadas por uma arborização planejada que traga sombra para o pedestre e amenize o calor do nosso interior. Essa preocupação com o meio ambiente se estenderia para o alto, com uma matriz de sustentabilidade ambiental focada na geração de energia limpa, abastecendo os prédios públicos, como Matão está fazendo. E, para coroar essa integração com a natureza, a cidade ganharia um parque ambiental –no antigo horto florestal–, projetado tanto para o lazer das famílias nos fins de semana quanto para o aprendizado prático de ecologia das nossas crianças.

Evidentemente, o básico precisa ser impecável. O sonho passa, obrigatoriamente, por um serviço de saúde humanizado e eficiente, onde a estrutura funcione e o atendimento seja ágil, e por escolas que ostentem condições dignas de verdade –tanto para os professores exercerem o sagrado ofício de ensinar quanto para os alunos aprenderem com entusiasmo. Por fim, cobrindo tudo isso como um manto, uma cidade onde as pessoas possam caminhar pelas ruas, a qualquer hora do dia ou da noite, com a paz de espírito que a verdadeira segurança pública proporciona.

Seria pedir muito? Olhando para o histórico de crises, pode parecer utopia. Mas, considerando o potencial da nossa gente e para o chão onde o destino fincou minhas raízes, sei que é apenas o mapa do que merecemos. Afinal, enquanto houver quem permaneça e quem ouse folhear propostas de governo buscando um amanhã diferente, a semente da mudança continuará viva. Que o futuro nos ouça, e que Taquaritinga, um dia, deixe de ser alvo das críticas dos desesperançados para se tornar a cidade funcional, próspera e acolhedora que tanto queremos.

(Imagem gerada por IA)

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