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Por Marcus Rogério de Oliveira*

Queridos leitores, nas últimas semanas temos conversado sobre inteligência artificial, agentes autônomos, robôs e novas formas de trabalho. Ainda não sentimos tudo isso plenamente no nosso dia a dia, mas já não é mais só cinema, nem ficção científica, nem trabalho em laboratório. Uma notícia recente mostrou isso com força: a empresa Figure AI transmitiu robôs humanoides trabalhando por horas em uma linha de logística, separando pacotes, identificando códigos e executando uma atividade repetitiva como vemos tradicionalmente nos centros de distribuição. A demonstração chamou atenção porque deixou de ser apenas um vídeo legal de rede social feito em ambiente controlado. Isso aconteceu em um turno real de trabalho.

Poucos dias depois, a mesma empresa colocou um humano e um robô em uma disputa direta de separação de pacotes. O humano venceu, por pequena margem. Mas pense comigo: será que o ponto principal é apenas saber quem ganhou aquela disputa? Talvez não. O dado mais importante é a diferença na natureza da operação. Uma pessoa tem limites físicos, precisa descansar, cumprir jornadas adequadas, preservar sua saúde e trabalhar dentro de regras que protegem sua dignidade. Já uma máquina pode ser projetada para operar por longos períodos, com constância, repetição e previsibilidade.

Essa reflexão não deve ser colocada como uma briga entre homem e robô. Também não deve ser tratada como ataque ao trabalhador, às leis trabalhistas ou às conquistas sociais. Muito pelo contrário. O que ela mostra é que atividades repetitivas e padronizadas tendem a ser reorganizadas. O trabalho humano continuará sendo essencial, mas cada vez mais em funções de maior valor, ligadas à supervisão, programação, integração, manutenção, análise e melhoria desses novos sistemas.

E aqui está o ponto que precisamos observar com serenidade. A pergunta não é mais se os robôs vão aparecer. Eles já apareceram. A pergunta é como vamos nos preparar para trabalhar, empreender, ensinar e produzir em um mundo no qual máquinas inteligentes começam a ocupar espaços antes reservados exclusivamente às pessoas.

Ao mesmo tempo, outro movimento cresce com força: os agentes de inteligência artificial. Não estamos falando apenas de sistemas que respondem perguntas frequentes ou ajudam a escrever textos. Estamos falando de agentes capazes de receber objetivos, acessar programas, acompanhar processos, organizar tarefas e apoiar decisões dentro das empresas. A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma tela de conversa e para se transformar em uma camada de operação.

Isso muda muita coisa. Muda o comércio, muda a indústria, muda os escritórios, muda as escolas, muda as fazendas e muda os serviços. Mas, principalmente, muda a forma como precisamos pensar o futuro da nossa região.

Para Taquaritinga e região, essa notícia não deve gerar medo. Deve gerar movimento. Cada transformação desse tamanho abre espaço para novos cursos, novas empresas, novos negócios, novas oportunidades, novos serviços, novas profissões e novas formas de resolver problemas locais. Uma coisa eu garanto: não ficaremos apenas reclamando das implicações da tecnologia. Não perderemos tempo precioso. Vamos utilizá-la para criar valor, gerar renda e abrir novos caminhos.

A nossa região tem talentos, instituições de Ensino Superior como a Fatec de Taquaritinga, empresas e empreendedores capazes de participar dessa transformação. Já abandonamos a ideia de que inovação é algo que acontece longe daqui. Sabemos aqui na nossa cidade que o futuro não espera. Ele chega, ocupa espaço e muda as vidas das pessoas.

Talvez a imagem mais forte desta semana seja esta: um robô bateu o ponto. Agora cabe a nós decidirmos se vamos apenas assistir ou se vamos preparar nossa região para trabalhar junto com essa nova realidade.

(Imagem gerada por IA)

 

*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.