Como é bom ter esperança
Na noite de terça-feira (28), a Câmara Municipal de Taquaritinga recebeu uma solenidade que há muitos anos não ocorria: a posse do Parlamento Jovem. É uma iniciativa para atrair a juventude à política, essa atividade tão necessária ao funcionamento da sociedade, mas que anda tão mal falada.
Foi muito bom ver que ainda existe gente na flor da idade com vontade de mudar o mundo. Não é só de individualismo e jogos eletrônicos que se faz a geração Z. E pela desenvoltura com as palavras e com as ideias, vê-se que estão metendo a cara nos livros.
São 15 estudantes, de escolas públicas e privadas, indicados pela direção desses colégios para compor o grupo. A sessão começou sob a presidência de Lara Ridal Nunes da Silva, que foi a mais votada entre seus pares especialmente para presidir a solenidade.
Coube a Lara conduzir a eleição entre duas chapas. Como deu empate, a decisão foi pelo critério de idade. Isabely Victória Zerba Campanha, mais velha que o candidato da chapa 1, venceu. Lara é sua vice. A Mesa Diretora tem ainda como secretários Laura Cavichioli Marcon e Davi Ricardo Domingos.
A possa e a eleição, com a presença de familiares, foram apenas simbólicas –formas de simular a realidade que os vereadores de verdade vivenciam ao assumirem seus mandatos. Eles costumam dizer que é o mais feliz, porque os demais são feitos de reuniões, preocupações, cobranças da população, demandas e decisões urgentes.
A desenvoltura desses jovens na tribuna foi o ponto alto da noite. Sem o vício da oratória ensaiada ou o peso das frases feitas, eles ocuparam o espaço com uma segurança que muitos veteranos de plenário invejariam. Em cada discurso, um tom de urgência: o entendimento de que a política não é um assunto de adulto, a ser resolvido no futuro, mas uma ferramenta do agora.
Ao destacarem a necessidade do engajamento, os novos parlamentares não pediram apenas um lugar à mesa. Também mostraram que já possuem voz própria. Falaram sobre a cidade, sobre os anseios de sua geração e, acima de tudo, sobre o fim da apatia. Ficou claro, entre um gesto e outro, que aquele grupo compreende que o silêncio e a omissão abrem caminho para a manutenção dos velhos erros.
Como é bom ter esperança. Como é bom saber que existem jovens pensando no bem-estar coletivo, saindo da zona de conforto das telas para encarar o desafio do diálogo e do contraditório. Muitos deles em breve deixarão a cidade em busca dos sonhos universitários, mas haverão de voltar –mais maduros e talvez movidos pelos mesmos ideais.
O Parlamento Jovem não é um grupo com prerrogativas legislativas. É um projeto para ensinar como nascem as leis e, principalmente, como a política deve ser feita para que dê resultados práticos. Ali, entre protocolos e votações, aprende-se que o interesse público deve sempre falar mais alto que o ego. Se dessa experiência surgirem novas lideranças –e a julgar pelo brilho nos olhos daquela noite, elas virão–, o projeto terá cumprido o seu mais nobre objetivo: renovar o fôlego da nossa democracia.













