Salvem o passado
Em viagens que fiz a cidades turísticas, no nosso Estado e fora dele, dei de cara com o passado. Construções antigas, que são preservadas, sempre me fazem viajar no tempo. Não condeno, mas também não aprecio a arquitetura contemporânea, com suas caixas de linhas retas. Há espaço para tudo.
O estilo que marcou as primeiras décadas do século 20, ainda exibido em muitos lugares, anda cada vez mais raro por aqui. Em Taquaritinga, são poucas exceções, graças a famílias que optaram por restaurar em vez de demolir. Infelizmente, não existe incentivo oficial a quem preserva.
Assim, gostaria de dar parabéns aos responsáveis por imóveis preservados em Taquaritinga: a casa da família Fabel, na Rua Duque de Caxias; a vizinha dela, na esquina com a Campos Sales, da família Carvalho; nesse mesmo quarteirão, os sobrados da Profa. Maria Tereza Mantese Ariolli e o da família Previdelli; o sobrado da Dra. Maria Tereza Ariolli Prandini, no cruzamento da General Glicério com a Visconde do Rio Branco; o antigo prédio do Banco do Brasil, da Sra. Cleide Ezarchi, e a loja Baby Chic, da Sra. Adriana Fernandes, na Rua Prudente de Morais; o Grande Hotel e o Hotel Central. Além do nosso ícone de resistência, o centenário Cine Teatro São Pedro, e do Conservatório Municipal.
Entre outros, esses são oásis numa paisagem rarefeita que nos remete a uma época em que a arte era levada em consideração na hora de construir. Ideia muito boa teve o amigo Marco Aurélio Valentin, pessoa de sensibilidade artística. Silenciosamente, ele fotografa imóveis antes que virem pó, dando lugar a novas construções. Suas imagens um dia serão importantes para lembrar de uma arquitetura que existiu.
A falta de respeito com a memória arquitetônica é uma realidade em todo o país. O engraçado é que, quando viajamos a Buenos Aires –para não citar um lugar muito longe– admiramos aqueles edifícios centenários e belos que conferem romantismo à paisagem urbana da capital portenha.
A propósito da morte, no último domingo, do cantor e compositor mineiro Lô Borges, cofundador do Clube da Esquina, nós também tivemos o nosso clube da esquina. A diferença é que o nosso era um lugar de concreto, que infelizmente foi a leilão. A sede social do Clube Imperial, onde a Marechal aperta o passo para encontrar a Campos Sales, ainda está lá, mas sem movimento, sem alma e se deteriorando.
Ainda sonho que alguém possa salvar esse patrimônio vivo das nossas memórias antes que seja tarde demais. Seria mais que uma gentileza urbana, conceito que há muito saiu de moda por aqui. Seria devolver vida ao prédio que já foi considerado a “sala de visitas de Taquaritinga”.
Uma coisa que parece lógica é: se continuarmos a destruir as marcas do passado, nunca teremos passado. Se a cidade quiser mesmo se tornar “de interesse turístico”, tirando do papel uma possibilidade criada por lei recente, suas lideranças têm de se movimentar para a criação de uma nova realidade. O tempo dirá se a minha falta de otimismo é exagero ou é só resultado do que já vivi.










