Por Luís José Bassoli
A Casa Branca divulgou, na segunda-feira (29/9), a proposta do presidente Trump para acabar com a guerra em Gaza.
São 20 pontos, em síntese:
- Gaza será desradicalizada e livre do terrorismo.
- Reconstrução de Gaza, em benefício do seu povo.
- As forças israelenses se retirarão, para se preparar para a libertação dos reféns, com a suspensão de todas operações militares, até que sejam reunidas as condições para a retirada completa.
- A devolução, pelo Hamas, de todos os reféns israelenses, vivos ou mortos.
- A libertação, por Israel, de 250 palestinos condenados à prisão perpétua, e de 1.700 habitantes detidos após os ataques de 2023, incluindo mulheres e crianças. Por cada restos mortais libertados pelo Hamas, Israel libertará de 15 palestinos.
- Os membros do Hamas que desativarem suas armas serão anistiados; os que desejarem deixar Gaza terão passagem segura aos países receptores.
- Envio imediato de ajuda humanitária, reabilitação de infraestruturas, remoção de escombros e abertura de estradas.
- A entrada/distribuição de ajuda serão feitas pela ONU e instituições internacionais.
- Implantação de um governo transitório, composto por palestinos e peritos internacionais, com supervisão do órgão “Conselho da Paz”, chefiado por Trump, com outros membros, incluindo o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que administrará a região até que a Autoridade Palestina conclua seu programa de reformas.
- Convocação de especialistas para definir um plano de desenvolvimento econômico.
- Estabelecimento de uma zona econômica especial, com tarifas preferenciais aos investidores.
- Ninguém será forçado a sair de Gaza; encorajar as pessoas a ficar, oferecendo oportunidades.
- Impedir o Hamas e facções de qualquer papel no governo de Gaza; destruir as infraestruturas militares; iniciar a desmilitarização de Gaza, sob supervisão internacional.
- Garantir que Hamas e facções cumpram suas obrigações.
- Desenvolver, com parceiros árabes, a Força de Estabilização Internacional (ISF) temporária, que treinará as forças policiais palestinas, sob consultoria de Jordânia e Egito, que trabalharão com Israel na proteção das fronteiras; criar mecanismo de resolução de conflitos.
- Israel não ocupará nem anexará Gaza; à medida que a ISF estabelecer o controle, as Forças de Israel se retirarão do território.
- No caso de o Hamas atrasar/rejeitar a proposta, as operações de ajuda prosseguirão nas áreas entregues por Israel à Força de Estabilização.
- Estabelecimento de diálogo inter-religioso, para tentar mudar as mentalidades de palestinos e israelenses, enfatizando a paz.
- Com o redesenvolvimento de Gaza e a execução do programa da Autoridade Palestina, os EUA reconhecerão estarem reunidas as condições para a criação do Estado Palestino.
- Os EUA estabelecerão o diálogo entre israelenses e palestinos para chegar a um horizonte político de coexistência pacífica e próspera.

ESPERANÇA E CETICISMO
Trump disse que o premiê israelense Netanyahu aceitou a proposta e que o Hamas teria “dado sinais” de querer o acordo.
Muitos preferem a cautela, pois Trump e Netanyahu têm histórico de não cumprir suas promessas – em junho, EUA e Israel atacaram o Irã, na véspera da reunião de paz, que aconteceria no Catar; há 20 dias, as forças israelenses bombardearam o próprio Catar, para assassinar o negociador-chefe do Hamas, Khalil Al-Hayya, que estava na capital Doha.
A proposta de Trump foi saudada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, pelos primeiros-ministros do Reino Unido, Keir Starmer, da Espanha, Pedro Sánchez, e pelo ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul; em contrapartida, o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, classificou o plano como “um fracasso diplomático estrondoso”.
(Com: CartaCapital; BBCBrasil; G1; Reuters; Bloomberg e agências).
Luís José Bassoli é advogado, graduado pela Universidade Mackenzie, formado pela Escola de Governo de SP, pós-graduado em Didática para o Ensino Superior pela Unip, professor do Colégio Objetivo; foi professor da Fatec, vice-presidente da Subseção da OAB e presidente da Câmara Municipal de Taquaritinga.
Foto: Chatham House













