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Por Luís José Bassoli

Desde o anúncio do tarifaço, o governo federal adota medidas diplomáticas e econômicas para proteger os brasileiros.

O Itamaraty acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), os EUA aceitaram a consulta e o processo está em curso; o presidente Lula conversou, por telefone, com os presidentes Putin (Rússia) e Macron (França) e com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; se encontrou, em Brasília, com os presidentes da Indonésia, Prabowo Subianto, do Equador, Daniel Noboa, e da Nigéria, Bola Tinubu; e participou de uma reunião, em Santiago, no Chile, com os presidentes Gabriel Boric, Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai) e Pedro Sánchez (primeiro-ministro da Espanha), quando recebeu solidariedade geral na resistência ao tarifaço.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se encontrou com os ministros das Finanças da China e da Rússia, e assinaram memorandos em desenvolvimento industrial e integração econômica. O assessor Especial, Celso Amorim, esteve em Pequim (03/09), representando o Brasil na celebração do 80.º aniversário da vitória da China na 2.ª Guerra, se encontrou com o presidente Xi Jinping e se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, o assunto tarifaço na pauta.

 

MERCOSUL-UNIÃO EUROPEIA

No dia 5 de setembro, Lula telefonou à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para tratar do acordo Mercosul-União Europeia, que deverá ser assinado “até o fim deste ano”. Se aprovado, criará a maior zona de livre-comércio do mundo entre nações democráticas, com 700 milhões de consumidores. A resistência é dos agricultores da França; já Alemanha e Espanha apoiam o acordo, para compensar os danos das tarifas de Trump.

 

MERCOSUL-EFTA

Na terça-feira (16/9), entrou em vigor o acordo de livre-comércio Mercosul-EFTA, associação europeia composta por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, criando um bloco de 300 milhões de pessoas e PIB de US$ 4,3 trilhões, estratégico para aproximar as economias sul-americanas de mercados desenvolvidos da Europa – e mais uma resposta ao tarifaço de Trump (o Brasil, maior economia do Mercosul, recebeu a maior taxação, 50%; a Suíça, maior da EFTA, foi taxada em 39%, o dobro da União Europeia). O acordo favorecerá as exportações brasileiras de café, soja, carnes e produtos químicos. 

 

COMPONENTE GEOPOLÍTICO

Os tratados fortalecem o Mercosul nas relações globais, no momento em que se redesenha as alianças tradicionais.

 

MEDIDAS ECONÔMICAS INTERNAS

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, articulou o Plano Brasil Soberano, cujas principais medidas são: alocação de R$ 30 bi para financiar exportações; suspensão de impostos de empresas exportadoras; facilitação da compra de alimentos por órgãos públicos; extensão do Programa Reintegra (devolução de 3% dos tributos), que valia para micro e pequenas empresas, para todas que exportam aos EUA; e aportes adicionais ao Fundo do Comércio Exterior, BNDES e Banco do Brasil, para exportadores, de R$ 4,5 bi.

O plano amplia o comércio com China, Índia, México, Canadá, Japão, Emirados Árabes, Vietnã, entre outros países africanos, asiáticos, europeus e dos BRICS.

 

MISSÃO EMPRESARIAL

No início do mês, grandes empresários brasileiros, liderados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), viajaram a Washington e se encontraram com empresários, parlamentares e autoridades locais, inclusive com o vice-secretário de Estado, Christopher Landau, que disse que o governo brasileiro pode procurá-lo ou o próprio secretário de Estado, Marco Rubio, para “tratar do assunto”.

A comitiva, de representantes da iniciativa privada, teve como objetivo defender a economia nacional, enquanto radicais da extrema-direita, liderados

pelo deputado Eduardo Bolsonaro e pelo ex-comentarista da Jovem Pan, Paulo Figueiredo (neto do ex-ditador João Batista), sabotam o País junto ao governo Trump.

O ex-presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD/MG), alertou: “Brasileiro que ousa ir ao exterior trabalhar contra o País é traidor da pátria”.

 

EXPECTATIVAS E INCERTEZAS

O julgamento de Bolsonaro pode gerar novas sanções ou abrir caminho ao diálogo com os americanos, que estariam de olho na repercussão, interna e externa, sobre insistir nas sanções ou negociar, haja vista que se cristalizou, no mundo todo, que o motivo do tarifaço é “político e não econômico”, além da decisão do Tribunal Federal de Washington, que julgou o tarifaço ilegal, e das reações de deputados do Partido Democrata.

As projeções mais pessimistas apontam para um impacto negativo de 0,6% no PIB em 2025, e a perda de 140 mil postos de trabalho; as mais otimistas apontam para a queda de 0,1% no PIB e a perda de 65 mil empregos.

 

Luís José Bassoli é advogado, graduado pela Universidade Mackenzie, formado pela Escola de Governo de SP, pós-graduado em Didática para o Ensino Superior pela Unip, professor do Colégio Objetivo; foi professor da Fatec, vice-presidente da Subseção da OAB e presidente da Câmara Municipal de Taquaritinga.

(Com: AFP; DW; Agência Brasil; UOL; CNN et al.).

Imagem: Mercosul