Por Marcus Rogério de Oliveira*
Estamos de volta com nossa série sobre tecnologia. Já falamos sobre a Inteligência Artificial generativa e acompanhamos de perto a corrida global pela supremacia nos modelos de IA entre Estados Unidos, China e Europa. Agora, um novo assunto está repercutindo muito forte nas mídias especializadas em tecnologia: a robótica aliada à IA. Essa combinação reúne máquinas dotadas de estruturas mecânicas, motores, sensores de vários tipos, processadores e algoritmos de inteligência artificial que estão dando autonomia às máquinas.
Podemos perceber o quanto essa evolução é importante ao observar empresas como Boston Dynamics desenvolvendo robôs com capacidade de locomoção com duas e quatro pernas usando atuadores de alta performance e precisão com sistemas de controle de estabilidade em tempo real e algoritmos de visão computacional. Esses robôs conseguem identificar obstáculos, manter equilíbrio em terrenos irregulares e executar tarefas complexas, como abrir portas ou carregar cargas pesadas. Outro exemplo é o uso de redes neurais profundas para que máquinas “aprendam” a tomar decisões rápidas, seja para evitar colisões, para manusear objetos frágeis ou para dar um aperto de mão.
A Tesla está investindo em projetos de robôs humanoides, equipados com diversos sensores — câmeras, radares, sonares — e chips de IA dedicados para processar grandes volumes de dados localmente. A Alphabet (controladora do Google) está aplicando modelos de aprendizado por reforço em sistemas robóticos para realizar tarefas domésticas e industriais. A Hanson Robotics optou por se dedicar na construção de androids com expressões faciais realistas, pensando em interações mais naturais em áreas como entretenimento, recepção em hoteis, auxílio terapêutico, entre outras aplicações.
É inevitável não pensarmos sobre como a robótica transformará nossa vida. Muito além das atuais linhas de produção automatizadas com braços robóticos, teremos robôs em nossa casa ou em nosso trabalho nos ajudando em tarefas como podar a grama, limpar a casa, fazer o almoço, colher frutas, levar encomendas, etc.
O impacto no mercado de trabalho é um ponto-chave e as oportunidades são incríveis. Então, novamente refletimos como essa tecnologia pode trazer oportunidades para Taquaritinga. Mesmo que não tenhamos estruturas gigantescas para a fabricação de robôs em escala industrial, há inúmeras oportunidades para inovar na área de software e serviços associados. Considerando nossos talentos, aqui podemos criar startups voltadas ao desenvolvimento de softwares para atender demandas específicas dentro da robótica, oferecendo soluções personalizadas para clientes em todo o mundo, mas que tenham a nossa marca registrada.
Alguns exemplos são softwares de controle de movimento específicos para domínios como a agricultura; modelos de visão computacional treinados especificamente para pragas em nossas culturas; modelos de aprendizado por reforço para locomoção de robôs treinados com dados de nossas ruas e calçadas; dashboards para monitoramento de robô e seu funcionamento; aplicativos para configurar e personalizar a experiência de humanos com androids, e muito mais.
Taquaritinga vai se tornar um polo de inovação. Estamos investindo nessa estratégia. É um cenário muito favorável no qual a comunidade está unida para fomentar um ambiente propício para criar, adaptar, melhorar tecnologias e gerar não somente crescimento econômico, mas também orgulho e um sentimento de pertencimento. Mesmo que não fabriquemos robôs, podemos conceber e exportar a “inteligência” que os fazem funcionar.
Vamos aproveitar esse momento. Pense conosco nas soluções inovadoras que podem ser criadas aqui mesmo, ajudando não só a atrair investimentos e criar empregos, mas também a transformar a vida das pessoas em nossa comunidade. Vamos explorar todas as possibilidades que a era da robótica e da IA pode trazer.
*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.
(Imagem gerada por IA)










