Por Marcus Rogério de Oliveira*
Este artigo faz parte de nossa série sobre Inteligência Artificial (IA) e as eleições municipais de outubro. Hoje, vamos explorar como a IA pode nos ajudar a visualizar e compreender melhor as possíveis consequências das propostas políticas dos candidatos para a nossa cidade.
A ideia é explorar os possíveis impactos da implementação das propostas sobre o futuro do município antes de tomar a decisão do voto. Utilizando dados reais e análises próprias, você pode criar prompts com trechos das propostas para um modelo generativo de IA (como o ChatGPT, Gemini ou Claude) e ver as possíveis consequências como resposta.
A IA pode criar simulações detalhadas de como diferentes propostas políticas afetariam nossa cidade. Essas simulações podem considerar qualquer tipo de dados que você, eleitor, deseja incluir no prompt, desde padrões de tráfego até cenários econômicos, e assim, criar cenários possíveis de futuro.
Por exemplo, se um candidato propõe transformar uma rua movimentada em um calçadão para pedestres, a IA poderia simular como isso afetaria o comércio local, o fluxo de pessoas, e até mesmo a qualidade do ar na região. Poderíamos ver projeções de como as vendas nas lojas locais poderiam mudar, como o tráfego seria redirecionado, e até mesmo como isso poderia influenciar os preços dos imóveis na área.
Como outro exemplo, considere uma proposta para alterar as regras de estacionamento no centro da cidade. A IA poderia mostrar como isso afetaria o fluxo de clientes para os negócios locais, o congestionamento nas ruas próximas, e até mesmo como ficaria o uso do transporte público.
E se um candidato sugerir a criação de um novo distrito tecnológico com incentivos fiscais? A IA poderia projetar o potencial crescimento de empregos, o impacto na economia local, e até mesmo como isso poderia afetar o custo de vida na região.
Mas não se trata apenas de grandes projetos. A IA também pode ajudar a entender o impacto de políticas aparentemente menores. Como uma mudança nos horários de coleta de lixo afetaria a limpeza das ruas? Como a expansão dos programas após a escola poderia influenciar as taxas de aprovação no vestibular?
Podemos considerar também como os próprios candidatos poderiam utilizar essas simulações de IA para aprimorar suas propostas e comunicação com os eleitores. Imagine um candidato que propõe a criação de um novo parque na cidade. Antes de apresentar a ideia ao público, ele poderia usar a IA para simular diversos cenários. Por exemplo, a simulação poderia mostrar como o parque afetaria o tráfego nas ruas próximas, o valor dos imóveis da região, e até mesmo o impacto positivo na saúde pública devido ao aumento de áreas verdes.
Com essas informações em mãos, o candidato poderia refinar sua proposta. Talvez a simulação mostre que o parque causaria congestionamentos em certos horários. O candidato poderia então incluir em seu plano a criação de novas rotas ou ciclovias para amenizar esse problema.
Essas simulações também permitiriam aos candidatos explicar suas propostas de forma mais concreta e visual. Em vez de apenas prometer “melhorar a qualidade de vida”, eles poderiam mostrar gráficos e mapas ilustrando como exatamente suas ideias afetariam diferentes aspectos da cidade.
Isso também abriria espaço para um diálogo mais produtivo entre candidatos e eleitores. Os cidadãos poderiam sugerir ajustes às propostas com base nas simulações, tornando o processo político mais colaborativo e transparente. Os candidatos, por sua vez, poderiam demonstrar que estão realmente considerando o impacto de longo prazo de suas ideias, não apenas buscando votos com promessas imediatistas.
É importante lembrar que essas simulações não são previsões garantidas. Elas são ferramentas para nos ajudar a pensar no futuro e fazer perguntas importantes. Por exemplo, se uma simulação mostra que uma nova política poderia aumentar o emprego, mas também o custo de vida, podemos perguntar aos candidatos: “Como você planeja equilibrar o crescimento econômico com a capacidade de custeio de vida para todos os moradores?”
Como eleitor, podemos usar essas informações para fazer perguntas mais profundas aos candidatos. Por exemplo: “Você considerou como sua proposta afetará diferentes grupos da nossa comunidade? Quais são seus planos para mitigar possíveis efeitos negativos?”
Lembre-se, a tecnologia é apenas uma ferramenta. O verdadeiro poder está em nossas mãos, como cidadãos engajados. À medida que as eleições se aproximam, vale a pena fazermos uma reflexão e pensar além das promessas imediatas. Importante considerar o impacto de longo prazo de cada proposta fazendo perguntas, como por exemplo: “Qual o resultado desta proposta em nossa cidade daqui a 5, 10 ou 20 anos?”
Sempre me pergunto qual futuro quero para minha cidade. Você também se pergunta? Sua voz, seu voto e sua participação ativa são as ferramentas mais poderosas que temos para moldar o amanhã que desejamos ver.
*Marcus Rogério de Oliveira é um renomado professor da Fatec de Taquaritinga, onde leciona desde 1995. Com um extenso currículo acadêmico, é Doutor em Biotecnologia pela UFSCar, Mestre em Ciência da Computação pelo ICMC-USP e Bacharel em Ciência da Computação pela Unoeste. Sua vasta experiência o tem levado a atuar em áreas como Banco de Dados, Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Dados e Ciência de Dados.
(Imagem gerada por Inteligência Artificial)










