Vítima de racismo, fiscal do novo estacionamento rotativo de Taquaritinga (SP) é ameaçado por motorista

Um dos fiscais do novo estacionamento rotativo implantado na última terça-feira (2 de Dezembro) nas ruas centrais de Taquaritinga (SP) relatou, por meio de suas redes sociais, um fato deprimente que teria passado no seu primeiro dia de trabalho.

Slider

O jovem João Vitor Nunes, de 18 anos, diz ter sido vítima de racismo ao cumprir as obrigações que lhe foram delegadas em seu primeiro emprego com carteira assinada. “O caso aconteceu na quarta-feira (3 de Dezembro). Eu estava fiscalizando os veículos estacionados na Rua Visconde do Rio Branco quando me deparei com uma VW/Kombi, de cor branca, estacionada irregularmente no local demarcado, sem o pagamento da taxa exigida. Diante da situação, fiz uma “notificação moral” para o condutor e coloquei no vidro do automóvel; esse aviso era aplicado apenas para que os motoristas buscassem orientações com os fiscais”, disse em entrevista ao Jornal Tribuna.

Entretanto, ao se deparar com a “multa”, o condutor procurou o funcionário para exigir uma explicação sobre o papel. “Eu estava em frente a uma sorveteria quando ele chegou dizendo que não ia pagar nenhum tipo de taxa”, relatou. Além disso, palavras como “vagabundo”, “lixo” e outras ofensas, que não serão descritas na reportagem, foram dirigidas a João Vitor. Um cliente, que estava no interior de um estabelecimento próximo, percebeu a agressão verbal e se dirigiu ao local, questionando a vítima do que estaria acontecendo ali. “Conforme algumas pessoas se aproximaram, o homem foi embora. No momento em que ele começou a falar, fiquei sem reação e sem saber o que fazer, pois nunca imaginava  que passaria por isso durante meu expediente de trabalho”.

O fiscal procurou a Delegacia de Polícia na manhã de sexta-feira (6 de Dezembro) para relatar o caso; porém, ele disse que a autoridade policial exigiu a identificação do autor e até imagens de câmeras de seguranças próximas para que ele pudesse registrar o boletim de ocorrência.

Agora, o jovem disse que está sendo amparado pela empresa e por advogados que se solidarizaram com ele. “A empresa está me oferecendo todo o apoio necessário para que eu busque os meus direitos e esse homem seja penalizado por seu ato”, finaliza.

Desde que estacionamento rotativo foi implantado, diversas reclamações dos colaboradores já foram registradas, como o desrespeito que, muitas vezes, foram tratados pelos condutores e a negação dos motoristas em pagarem o valor cobrado pela hora estacionada. João ainda relata que seguirá trabalhando conforme foi treinado, mas com receio de que fatos assim voltem a se repetir.

(Imagem ilustrativa – G1 Rio Preto e Araçatuba)