Em Taquaritinga (SP): Projetista que desenhou o ‘Taquarão’ terá nome eternizado em rua do Jardim Laranjeiras

Na primeira sessão da Câmara Municipal de Taquaritinga (SP) de 2020, realizada na de segunda-feira (3), o vereador Dr. Eduardo Henrique Moutinho teve aprovado seu projeto de lei que homenageia um saudoso e ilustre morador da cidade: Francisco Palhares Filho. O nome do servidor público municipal aposentado, que desenhou o Estádio Municipal Dr. Adail Nunes da Silva (o “Taquarão”), foi eternizado na Rua Projetada localizada no Parque Residencial Laranjeiras, entre as ruas Oristano Rossi e Cel. Manoel Gonçalves de Mendonça.

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Seu Francisco nasceu em Curupá, distrito de Tabatinga (SP) , em 25 de agosto de 1932 (sendo registrado oficialmente, como natural de Tabatinga, somente no dia 5 de dezembro daquele ano). Filho de Francisco Palhares e Vicentina Gonçalves (ambos nascidos em Analândia (SP) e sepultados em Taquaritinga) e irmã de Luís, Euclides, Joana, João, Iracy e Cleide.

Aos 12 anos, Francisco concluiu o curso primário em Nova Europa (SP). Naquele município, trabalhou desde os seis anos, principalmente na lavoura e na construção civil, entre diversas outras ocupações. Talentoso desde a infância como desenhista, estudou e concluiu (via postal) o curso de Projetista do Instituto Universal Brasileiro (IUB).

Em 1951, aos 19 anos incompletos, iniciou a carreira profissional de desenhista no Departamento de Estradas de Rodagem (DER), em Araraquara (SP), para onde se mudou. Neste emprego, adquiriu, como autodidata, extenso conhecimento em Engenharia Civil e em Topografia.

Entre 1953 e 1954, serviu o Exército no 17.º Regimento de Infantaria em Pirassununga (SP), chegando à patente de terceiro sargento. Em 1955, Francisco foi transferido para o escritório do DER de São Carlos (SP).

Já em 1956, finalmente, mudou-se para Taquaritinga, ainda trabalhando para o DER. Nesta época, foi o responsável pelo projeto da piscina olímpica do Clube Imperial. Conheceu a professora Nair Ramos, com quem se casaria em 1959. O casal permaneceu unido por quase seis décadas, tendo três filhos (Maristela, Marisa e Marcos), além de sete netos (Bruno, Túlio, Ana Helena, Lucas, Lívia, Letícia e Liz) e três bisnetos (Helena, Leonardo e Eduardo).

No início da década de 1960, Francisco passou a trabalhar para o empresário Pedro Talavasso e mudou-se para Jaboticabal (SP). Em 1965, decidiu tentar a vida na capital paulista, onde trabalhou como projetista em empresas do porte da Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO) e da Paulo Abib Engenharia, entre outras. Nas décadas de 1960 e de 1970, foi o responsável por importantes projetos em vários pontos do Brasil, como o maior trevo viário da América do Sul (na época, em Avaré (SP)) e uma usina de fosfato em Araxá (MG).

Após 12 anos, Francisco e família retornaram à Taquaritinga para residência definitiva. Ele assumiu naquele ano o cargo de desenhista/projetista tanto na Prefeitura local quanto na Fazenda Contendas. Participou, entre centenas de projetos, da obra de retificação e pavimentação da marginal do Ribeirão dos Porcos e da abertura/locação/pavimentação da Avenida Paulo Roberto Scandar.

Francisco também foi responsável por medir todos os terrenos dos loteamentos residenciais Laranjeiras. Também são projetos de sua autoria a capela do Colégio Nossa Senhora da Consolação (hoje, Colégio Objetivo), o Asilo São Vicente de Paulo e a Igreja Santíssima Trindade (no Jardim São Sebastião), além do traçado de inúmeros bairros, rotatórias e praças de Taquaritinga – sem contar centenas de projetos feitos para particulares.

No fim da década de 1970, Francisco sugeriu, por iniciativa voluntária, o projeto de um estádio de futebol para aproveitar a escavação feita na área onde a Prefeitura estava retirando terra para suas obras, anexa ao Ginásio de Esportes. Foi assim que desenhou e projetou o Estádio ‘Adail Nunes da Silva’, cujas obras foram iniciadas em 1982 e concluídas no ano seguinte, quando o Clube Atlético Taquaritinga (CAT) estreou na 1.ª Divisão do futebol paulista. 

Em 2007, o reconhecimento público como idealizador, desenhista e projetista do estádio veio com a publicação do livro “O Baú do Taquarão”, de autoria de Leandro Castro, para o qual Francisco concedeu entrevistas.

Além de atuar como funcionário público municipal em Taquaritinga, também trabalhou para a Prefeitura de Santa Ernestina (SP). Em 1991, desenhou e projetou outra obra marcante da cidade: o Recinto Felipe Bianchi Neto, do grupo “Os Pampas”, onde é realizada a tradicional ‘Festa do Peão de Boiadeiro’. Pelo conjunto de obras e pelos relevantes serviços prestados aos municípios, recebeu o título de “Cidadão Taquaritinguense” e o prêmio “Destaque Profissional” do Rotary Club.

“Chico Palhares” (como era conhecido) também tinha outros dotes. Na década de 1940, era conhecido na região de Nova Europa por vencer corridas a cavalo que mobilizavam apostas e acirradas disputas. Já na década seguinte, foi profissional de atletismo, como corredor (disputou os Jogos Regionais do Estado de 1952 por Araraquara, a Corrida de São Silvestre de 1953 como atleta do Exército e, mais tarde, venceu diversas provas pela equipe de Taquaritinga), e também jogador de futebol (disputou, por exemplo, competições pelo Clube Atlético Pirassununguense e o Campeonato Amador do Estado de 1953 pelo time do Exército).

Palhares também foi artista. Dono de voz potente, apresentou-se profissionalmente, nas décadas de 1940 e 1950, como cantor (crooner) de orquestras e conjuntos em Nova Europa, Araraquara, São Carlos e Taquaritinga. Chegou a gravar um acetato com duas canções em 1953, em Araraquara – onde teve aulas de canto com o professor Sebastião Adão. Na década de 1990, gravou o grito de introdução de um frevo para o CAT. E participou do coral da Igreja Matriz de São Sebastião, durante as missas, por muitos anos.

Desde a infância, também exerceu o dom da pintura. Produziu centenas de quadros, com os quais presenteou familiares e amigos. Todos os filhos e netos, ao nascerem, ganharam quadros com temas católicos. 

Francisco Palhares Filho aposentou-se oficialmente em 1988, mas, com saúde invejável, manteve-se ativo e trabalhou como autônomo, desenhando projetos de casas e medindo terrenos e loteamentos por quase três décadas mais, até os 83 anos de idade.

No dia 7 de julho de 2016, sofreu um infarto fulminante em sua residência, pegando todos de surpresa. 

Em 2017, também foi sancionada a Lei Municipal n.º 4.398, que, entre outras disposições, denominará o setor 18 de arquibancadas do ‘Taquarão’ como “Francisco Palhares Filho”. Uma placa o identificará – e eternizará – como “Desenhista – Autor do Projeto do Taquarão”.

(Informações: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Taquaritinga)

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